Corpo Sofrido
Incerteza
Na carne
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Corpo Sofrido
Incerteza
Na carne
ElsonMAraujo
Houve um tempo em que os ventos, vindos não sei de
onde, trouxeram para Imperatriz um sujeito que, sem pedir licença a ninguém,
resolveu implantar a primeira Igreja do Diabo em terras maranhenses. Como não
poderia ser diferente, a reação da população da cidade, majoritariamente cristã,
foi imediata, e...
A aventura durou pouco. O pastor saiu da cidade
escorraçado, com marcas de facão no lombo, e foi pregar em outra freguesia. Ao
que parece, o capiroto não conseguiu assegurar a permanência de sua
representação terrena por estas bandas.
Na última sexta-feira,23, pela manhã, participei,
pela segunda vez, como avaliador do projeto O Direito na Academia,
promovido pelo curso de Direito da Universidade Ceuma. Um dos cinco trabalhos
apresentados tinha como inspiração o conto A Igreja do Diabo, de Machado
de Assis, publicado originalmente em 1884.
Foi o bastante para que minha memória viajasse no
tempo. Lembrei-me daquela tentativa frustrada de fundar um templo do capiroto
em Imperatriz, na década de 1990, e comecei a imaginar o que teria acontecido
se, depois de tantos fracassos, o próprio Diabo resolvesse vir a público, pelas
redes sociais, pedir desculpas a Deus e à humanidade por tamanha insanidade.
Imagino que, na linguagem dos nossos dias, ele se
portaria mais ou menos assim:
Excelentíssimo Senhor Deus,
Venho, respeitosamente, apresentar minhas desculpas
a Vossa Excelência e, por extensão, à humanidade, pelos transtornos causados
pela minha infeliz iniciativa de fundar uma igreja.
Tentei uma vez, numa espécie de vai que cola,
usando como inspiração o grande Machado de Assis. Depois, coloquei o projeto na
cabeça de um discípulo. Por fim, houve aquela tentativa em Imperatriz do
Maranhão.
Fracassei.
Reconheço, ainda que a contragosto, que ninguém
pode mais do que o Senhor.
Fui movido pela vaidade, pela ambição e, sobretudo,
por uma avaliação equivocada da natureza humana. Confesso que, depois de tantos
séculos trabalhando na área, deveria conhecer melhor o meu público.
Mas até o Diabo, convenhamos, tem direito a um
momento de ingenuidade.
Minha ideia parecia genial. Cansado de trabalhar de
maneira informal, sem estatuto, diretoria, templo, convenção ou qualquer estrutura
administrativa, resolvi organizar o negócio. Afinal, enquanto Deus contava com
uma tradição milenar, eu continuava operando na informalidade, dependendo das
fraquezas alheias e dos descuidos da consciência.
Foi quando decidi profissionalizar o pecado.
Criei regras, estabeleci princípios, organizei
discursos e passei a oferecer aos homens aquilo que, secretamente, muitos já
desejavam: a possibilidade de fazer o que bem entendessem, sem o incômodo de
sentir culpa.
Minha propaganda era simples. Nada de sacrifícios,
penitências ou promessas de uma felicidade futura. Eu oferecia resultados
imediatos. O paraíso, para mim, poderia esperar. O importante era garantir a
satisfação dos desejos aqui na Terra.
E não é que deu certo?
Lembro, Excelência, que em pouco tempo, minha
igreja cresceu. Os templos ficaram cheios, os discursos ganharam aplausos e as
adesões se multiplicaram. Descobri que bastava apresentar o vício com um nome
bonito para que muita gente o confundisse com uma virtude.
A ganância passou a ser chamada de ambição
legítima.
A vaidade ganhou o nome de autoestima.
A mentira recebeu tratamento de estratégia.
A esperteza foi promovida a inteligência.
E a falta de escrúpulos, ah, essa alcançou um
prestígio que nem eu, com toda a minha experiência, havia imaginado!
Foi então que comecei a acreditar na minha própria
propaganda.
Pensei que havia finalmente vencido Deus. Afinal,
quem precisaria de princípios quando se podia obter vantagens? Quem se
preocuparia com a consciência quando havia tantas justificativas disponíveis?
Foi um erro de cálculo.
O problema começou quando percebi que alguns dos
meus fiéis, apesar de tudo, continuavam praticando boas ações. Havia quem
ajudasse um necessitado sem contar vantagem. Quem devolvesse o que não lhe
pertencia. Quem dissesse a verdade quando a mentira lhe seria mais conveniente.
Pior: alguns dos meus dirigentes pregavam uma coisa
e faziam outra.
Não me refiro apenas aos que discursavam contra a
corrupção e depois descobriam uma maneira particular de conviver com ela. Refiro-me
também aos que condenavam publicamente a vaidade, mas não conseguiam passar
diante de um espelho sem consultar a própria importância.
Havia os que defendiam a liberdade, desde que todos
concordassem com eles. Os que exigiam respeito, mas tratavam os adversários
como inimigos. Os que prometiam servir à coletividade e, depois de alcançar o
poder, pareciam descobrir que a coletividade era uma espécie de patrimônio
particular.
E havia, naturalmente, os que juravam fidelidade
eterna à minha doutrina, mas mudavam de lado assim que o vento soprava em outra
direção.
A política, devo admitir, tornou-se um campo de
observação privilegiado. Não porque todos os políticos fossem meus discípulos, seria
injusto e até comercialmente desastroso generalizar, mas porque ali, como em
tantos outros ambientes humanos, a distância entre o discurso e a prática às
vezes adquiria proporções monumentais.
Descobri, inclusive, que alguns dos meus melhores
clientes não precisavam de igreja alguma. Já traziam consigo um altar portátil,
diante do qual sacrificavam a coerência sempre que surgia uma oportunidade
conveniente.
E o mais espantoso: faziam isso sem se considerarem
pecadores.
Foi quando comecei a desconfiar de que meu projeto
tinha um defeito de origem.
Eu havia acreditado que os homens queriam apenas
liberdade para pecar. Não percebi que muitos também desejavam continuar sendo
considerados bons, honestos, justos e virtuosos, mesmo quando suas ações
contrariavam as próprias palavras.
Queriam as vantagens do vício e o prestígio da
virtude.
Queriam fazer o que lhes convinha e, ao mesmo
tempo, conservar uma boa imagem diante dos outros.
Queriam a liberdade de mudar de opinião, mas nem
sempre admitiam aos demais o mesmo direito.
Em resumo, eu queria seguidores fiéis. E acabei
descobrindo que a fidelidade humana, em determinadas circunstâncias, tem prazo
de validade.
Foi então que resolvi procurar Vossa Excelência.
Confesso que subi ao Céu contrariado. Não era fácil
admitir que minha grande obra estava ameaçada não pela falta de adeptos, mas
pela incapacidade deles de permanecerem coerentes com aquilo que defendiam.
Deus me recebeu com a serenidade habitual.
Expliquei o problema. Falei da minha igreja, dos
meus princípios, das deserções e da estranha mania que os homens tinham de
praticar, escondidos, justamente aquelas virtudes que publicamente haviam
jurado abandonar.
Esperava uma reprimenda. Talvez um sorriso de
satisfação. Quem sabe uma manifestação de superioridade.
Mas Deus apenas me ouviu.
E foi nesse silêncio que compreendi a extensão da
minha derrota.
Eu havia desafiado o Criador acreditando que
conhecia profundamente a criatura. Confundi fraqueza com destino, tentação com
fidelidade e adesão com convicção.
O homem podia me acompanhar numa sexta-feira e
procurar Deus no domingo. Podia defender a honestidade enquanto lhe fosse
vantajosa e abandoná-la quando surgisse uma oportunidade melhor. Podia condenar
o erro alheio e encontrar mil justificativas para o próprio.
Eu queria uma humanidade inteiramente minha.
Esqueci que nem a maldade humana consegue ser
absolutamente fiel a si mesma.
Por isso, Senhor, peço desculpas.
Peço desculpas a Vossa Excelência pela arrogância
de acreditar que poderia derrotar a sabedoria divina com um estatuto bem
redigido e uma campanha publicitária eficiente.
Peço desculpas à humanidade por ter acreditado que
suas fragilidades eram tudo o que ela possuía.
E peço desculpas, sobretudo, aos meus antigos
colaboradores, que agora terão de procurar outra ocupação. Não posso continuar
sustentando uma instituição cujos membros, de vez em quando, resolvem praticar
o bem sem minha autorização.
Quanto à igreja, estou considerando encerrar as
atividades. Talvez mantenha apenas um pequeno escritório para pesquisas.
Afinal, o comportamento humano continua sendo um mistério fascinante.
Não descarto, porém, uma última iniciativa: abrir
um curso de aperfeiçoamento para os que pretendem ingressar na política, na
religião ou em qualquer outra atividade que exija discursos elevados e uma boa
dose de resistência às tentações.
O curso terá apenas uma disciplina: Coerência
entre o que se diz e o que se faz.
Prevejo, contudo, um problema de matrícula.
Atenciosamente,
O Diabo,
Ex-fundador, presidente e principal investidor da
Igreja do Diabo.
P.S.: Senhor, se não for pedir demais, gostaria de saber
se existe alguma possibilidade de aproveitar o tempo de serviço. Afinal, são
muitos séculos de experiência profissional.
Pelo que tenho observado na Terra, entretanto,
receio que a minha aposentadoria seja prematura.
O mundo continua oferecendo oportunidades de
trabalho. O que me preocupa é que, ultimamente, nem preciso fazer muita coisa.
Às vezes, basta que alguém prometa o impossível, que outro acredite e que um
terceiro se encarregue de justificar tudo.
E eu, que me julgava indispensável, começo a
suspeitar de que fui vítima do meu próprio orgulho.
Talvez a humanidade não precise de uma igreja para
conhecer o pecado.
Talvez precise apenas aprender a reconhecer, em si
mesma, aquilo que passa a vida inteira condenando nos outros.
E essa, Senhor, é uma tarefa para a qual nem o eu,
com toda minha experiência, encontrei ainda uma solução.
ESPERANÇA
Então, nada aconteceu.
Esperança não nasce em árvores
Ela nasce no mais recôndito
cantinho do coração
ENTRE/MENTES
Entre mentes o choque das luzes
penetra a escuridão gélida do
inconsciente
Ciência de que a vida
sempre sobrevive
RESISTÊNCIA
Ela resiste
No caos os
cães ladram
Madrugada a dentro
ajoelha e espera
pelo milagre que
nunca chegou
(Republicação)
ElsonMAraujo
Quando
a ciência ainda não se impunha com a autoridade dos tempos modernos, problemas
simples e, por vezes, complexos eram resolvidos pelo saber ancestral,
transmitido de geração em geração. Sobretudo as questões de saúde, que, antes
de médicos e fármacos, eram confiadas às mãos sábias das rezadeiras e
benzedores. Essas figuras, dotadas de uma aura de mistério e respeito, eram a
esperança das mães aflitas e dos pais resignados.
Minha
saudosa mãe, Teresa, confiava nesses rituais. E por isso, algumas vezes, me
levou a um desses mestres da cura. Lembro-me, em especial, de uma tarde em que
fui conduzido a um rezador para "cortar uma íngua" – um caroço
dolorido na virilha, seguido de febre. A casa do benzedor era humilde, feita de
taipa e coberta com palha de babaçu. No terreiro bem varrido, galinhas ciscavam
entre porquinhos que remexiam a terra, enquanto um cajueiro carregado espalhava
pelo ar um aroma adocicado. As pipiras, numa algazarra, se fartavam dos frutos
maduros. São memórias que, mesmo com o passar dos anos, permanecem intactas.
Minha
mãe explicou ao velho benzedor o motivo da visita. Com gestos tranquilos, ele
me pediu que retirasse a alpercata e firmasse o pé no chão. Pegou uma faca de
cabo de chifre de boi, riscou a terra ao redor do meu pé e, enquanto murmurava
palavras indecifráveis, desenhou pequenas cruzes no chão. Feito isso,
despediu-se com um aceno e um olhar de quem já sabia o desfecho. E não demorou:
dias depois, eu já corria pelos quintais da vizinhança, como se nada tivesse
acontecido.
Nesses
tempos de escassez de médicos e remédios, a fé era o único refúgio. Rezas,
chás, banhos e unguentos formavam o arsenal terapêutico da sabedoria popular.
Ainda hoje, há quem preserve essas práticas. Minha cunhada Socorro Oliveira,
por exemplo, dedicou-se a estudar essas tradições e, inclusive, apresentou um
trabalho acadêmico sobre o tema em uma instituição portuguesa. Ciência e
tradição, muitas vezes, caminham juntas.
E o
encantador de serpentes, do título? Ah, não me esqueci dele! Eles ainda
existem. Fragmentos dessa antiga arte podem ser encontrados em algumas regiões
do Maranhão. Conheci um deles no início da pandemia, em São Raimundo das
Mangabeiras. A descoberta veio por meio de um sobrinho por afinidade, Diego, o
nome dele, que lamentava a perda de uma vaca de leite e três cabras, vítimas
das cobras peçonhentas que infestavam a fazenda.
–
Vou procurar o encantador
– disse ele, com a certeza de quem já testemunhara a eficácia do método.
Na
casa do homem, um entra e sai constante. Quando chegamos, ele estava
"alinhando a arca" de um vizinho. Com uma camisa velha, media as
costas do paciente e explicava, com convicção:
–
Tá vendo aqui? Tem uma diferença grande. Vamos ajeitar isso agora!
A
"arca caída", também conhecida como espinhela caída ou peito aberto,
é uma aflição popularmente diagnosticada por fortes dores na boca do estômago,
nas costas e pernas, acompanhadas de cansaço. Para aquele benzedor, a cura
vinha da reza – e sem margem para dúvidas.
Mas
e as serpentes? Como ele pretendia livrar a fazenda do meu sobrinho delas? Por
R$ 300,00, prometeu resolver o problema, mas, dessa vez, sem precisar ir até o
local.
–
Tenho uma viagem marcada
– justificou. – Mas não se preocupe, faço o serviço daqui mesmo!
Naquele
primeiro semestre de 2020, tudo era remoto. Até os encantamentos.
Antes
de nos despedirmos, contou-me que herdara o ofício do avô e já preparava o
filho para seguir seus passos. Gabava-se de que ninguém jamais contestara a
eficácia do seu trabalho.
Cinco
meses depois, já de volta a Imperatriz, lembrei-me do caso e resolvi perguntar
ao sobrinho sobre os resultados.
–
Sumiram! –
respondeu ele, sem hesitação. – Nunca mais perdi uma vaca.
E
assim, São Raimundo das Mangabeiras ganhou seu primeiro encantador de serpentes
remoto. Entre a fé e o ceticismo, o importante é que as cobras, de fato, nunca
mais voltaram.
ElsonMAraújo
A Consciência é a roupa da alma.
(ElsonMAraújo)
Sempre gostei de frases. Chegou um tempo em que até as colecionava.
Anotava tudo. Antes, naqueles cadernos de capa dura e costura de arame. Depois,
no computador. A princípio, frases ou pensamentos bíblicos, fruto da minha
formação cristã. Mais tarde, passei a prestar atenção nas frases soltas dos
filósofos gregos até chegar aos contemporâneos.
ElsonMAraujo
Alguns temas são recorrentes aqui neste espaço. Não tenho nenhum constrangimento com isso, porque alguns desses assuntos já alcançaram as bênçãos da atemporalidade e, pelo menos para mim, são sempre bem-vindos. É o caso da faculdade inerente ao ser humano de o tempo todo julgar tudo e todos, já explorado numa crônica que publiquei em março de 2016.
Todos nós somos julgadores, o
problema é que os julgamentos estão cada vez mais superficiais e quase sem
fundamento. Daí, por conta disso, o risco de a sociedade planetária entrar, num
sentido amplo, num período de trevas. A tão combatida intolerância e seus
desdobramentos, ao meu sentir, são as filhas malditas dessa superficialidade
que tem custado caro aos povos da Terra.
Não é difícil perceber que a
sociedade moderna hoje se reveste em milhares de impenetráveis microcosmos que
não se comunicam, não interagem, e estão ficando, num processo contínuo, a cada
dia mais distantes de qualquer contraditório, com cada um cimentando e
defendendo suas verdades. O escritor e colunista Moisés Naím, especialista
em economia e política internacionais, a grosso modo, denomina esses
microcosmos e micropoderes. Já abordei esse tema também por duas vezes neste
espaço. É a partir dessas bases que são feitas as escolhas, não só das
coisas, mas também dos governos.
Escolher ou julgar um fato,
uma coisa, um destino tendo por base um “único lado da moeda” é perigoso em
todos os sentidos, até porque nada é absoluto. Defendo que é preciso olhar o
todo, analisar todas as variáveis possíveis para um aprimoramento dos nossos
julgamentos, ou para um melhor fechamento das nossas escolhas, seja a compra de
um carro ou do próximo dirigente do município, do Estado ou do País. Como diria
o Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o português José Saramago: “É preciso
sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.” E aí eu
completo: é preciso visitar outros “cosmos” para conhecer o universo por
inteiro.
Julgar não deixa de ser uma
escolha, já que você opta por essa ou aquela tese. O homem é assim, um
animal julgador por essência. Julga não só pessoas, mas também fatos e
coisas. “Nem a mãe natureza escapa”. São julgamentos, na maioria das vezes, sem
direito ao contraditório e à ampla defesa, onde o indubio pro reo, máxima do
direito que diz que na dúvida deve-se beneficiar o réu, anda a léguas de
distância. As sentenças são sumárias, e quase todas condenatórias. Coitados de
nós.
Vivemos tempos em que as
opiniões voam como penas ao vento, espalhando julgamentos levianos. E o
problema não é apenas julgar, mas a rapidez com que se forma um veredicto. Um
deslize capturado por uma câmera de celular vira motivo de execração pública em
minutos. Em questão de horas, uma vida pode ser arruinada sem que haja espaço
para o outro lado da história. A superficialidade, alimentada pela necessidade
urgente de opinar, não nos permite ver a profundidade de cada ser humano, de
cada situação.
Ainda há tempo de refinar
nossa arte de julgar. Talvez o grande segredo seja deixar de lado a ansiedade
de emitir um parecer imediato e, antes de mais nada, escutar. Escutar o outro,
o silêncio, as entrelinhas. Porque, afinal, antes de julgar o mundo, é preciso
primeiro entender o que se passa dentro de nós mesmos.
Corpo Sofrido Meu corpo sofrido abre espaço para lembranças encravadas nas células ancestrais, prenhes da gênese das vidas que consc...