SOLIDÃO DAS LETRAS
Nesse cantinho perdido da "NET" você vai encontrar textos diversos. Poemas, artigos, impressões, comentários sobre fatos e coisas. Se por um acaso qualquer você acessá-lo, deixe um comentário, um recado, uma dúvida, enfim, marque sua passagem. Um forte abraço e, boa leitura
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
ALQUIMIA DO RECOMEÇO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
O Encantador de Serpentes
(Republicação)
ElsonMAraujo
Quando
a ciência ainda não se impunha com a autoridade dos tempos modernos, problemas
simples e, por vezes, complexos eram resolvidos pelo saber ancestral,
transmitido de geração em geração. Sobretudo as questões de saúde, que, antes
de médicos e fármacos, eram confiadas às mãos sábias das rezadeiras e
benzedores. Essas figuras, dotadas de uma aura de mistério e respeito, eram a
esperança das mães aflitas e dos pais resignados.
Minha
saudosa mãe, Teresa, confiava nesses rituais. E por isso, algumas vezes, me
levou a um desses mestres da cura. Lembro-me, em especial, de uma tarde em que
fui conduzido a um rezador para "cortar uma íngua" – um caroço
dolorido na virilha, seguido de febre. A casa do benzedor era humilde, feita de
taipa e coberta com palha de babaçu. No terreiro bem varrido, galinhas ciscavam
entre porquinhos que remexiam a terra, enquanto um cajueiro carregado espalhava
pelo ar um aroma adocicado. As pipiras, numa algazarra, se fartavam dos frutos
maduros. São memórias que, mesmo com o passar dos anos, permanecem intactas.
Minha
mãe explicou ao velho benzedor o motivo da visita. Com gestos tranquilos, ele
me pediu que retirasse a alpercata e firmasse o pé no chão. Pegou uma faca de
cabo de chifre de boi, riscou a terra ao redor do meu pé e, enquanto murmurava
palavras indecifráveis, desenhou pequenas cruzes no chão. Feito isso,
despediu-se com um aceno e um olhar de quem já sabia o desfecho. E não demorou:
dias depois, eu já corria pelos quintais da vizinhança, como se nada tivesse
acontecido.
Nesses
tempos de escassez de médicos e remédios, a fé era o único refúgio. Rezas,
chás, banhos e unguentos formavam o arsenal terapêutico da sabedoria popular.
Ainda hoje, há quem preserve essas práticas. Minha cunhada Socorro Oliveira,
por exemplo, dedicou-se a estudar essas tradições e, inclusive, apresentou um
trabalho acadêmico sobre o tema em uma instituição portuguesa. Ciência e
tradição, muitas vezes, caminham juntas.
E o
encantador de serpentes, do título? Ah, não me esqueci dele! Eles ainda
existem. Fragmentos dessa antiga arte podem ser encontrados em algumas regiões
do Maranhão. Conheci um deles no início da pandemia, em São Raimundo das
Mangabeiras. A descoberta veio por meio de um sobrinho por afinidade, Diego, o
nome dele, que lamentava a perda de uma vaca de leite e três cabras, vítimas
das cobras peçonhentas que infestavam a fazenda.
–
Vou procurar o encantador
– disse ele, com a certeza de quem já testemunhara a eficácia do método.
Na
casa do homem, um entra e sai constante. Quando chegamos, ele estava
"alinhando a arca" de um vizinho. Com uma camisa velha, media as
costas do paciente e explicava, com convicção:
–
Tá vendo aqui? Tem uma diferença grande. Vamos ajeitar isso agora!
A
"arca caída", também conhecida como espinhela caída ou peito aberto,
é uma aflição popularmente diagnosticada por fortes dores na boca do estômago,
nas costas e pernas, acompanhadas de cansaço. Para aquele benzedor, a cura
vinha da reza – e sem margem para dúvidas.
Mas
e as serpentes? Como ele pretendia livrar a fazenda do meu sobrinho delas? Por
R$ 300,00, prometeu resolver o problema, mas, dessa vez, sem precisar ir até o
local.
–
Tenho uma viagem marcada
– justificou. – Mas não se preocupe, faço o serviço daqui mesmo!
Naquele
primeiro semestre de 2020, tudo era remoto. Até os encantamentos.
Antes
de nos despedirmos, contou-me que herdara o ofício do avô e já preparava o
filho para seguir seus passos. Gabava-se de que ninguém jamais contestara a
eficácia do seu trabalho.
Cinco
meses depois, já de volta a Imperatriz, lembrei-me do caso e resolvi perguntar
ao sobrinho sobre os resultados.
–
Sumiram! –
respondeu ele, sem hesitação. – Nunca mais perdi uma vaca.
E
assim, São Raimundo das Mangabeiras ganhou seu primeiro encantador de serpentes
remoto. Entre a fé e o ceticismo, o importante é que as cobras, de fato, nunca
mais voltaram.
sábado, 1 de fevereiro de 2025
Pequenos diamantes da alma
ElsonMAraújo
A Consciência é a roupa da alma.
(ElsonMAraújo)
Sempre gostei de frases. Chegou um tempo em que até as colecionava.
Anotava tudo. Antes, naqueles cadernos de capa dura e costura de arame. Depois,
no computador. A princípio, frases ou pensamentos bíblicos, fruto da minha
formação cristã. Mais tarde, passei a prestar atenção nas frases soltas dos
filósofos gregos até chegar aos contemporâneos.
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
É PRECISO SAIR DA ILHA
ElsonMAraujo
Alguns temas são recorrentes aqui neste espaço. Não tenho nenhum constrangimento com isso, porque alguns desses assuntos já alcançaram as bênçãos da atemporalidade e, pelo menos para mim, são sempre bem-vindos. É o caso da faculdade inerente ao ser humano de o tempo todo julgar tudo e todos, já explorado numa crônica que publiquei em março de 2016.
Todos nós somos julgadores, o
problema é que os julgamentos estão cada vez mais superficiais e quase sem
fundamento. Daí, por conta disso, o risco de a sociedade planetária entrar, num
sentido amplo, num período de trevas. A tão combatida intolerância e seus
desdobramentos, ao meu sentir, são as filhas malditas dessa superficialidade
que tem custado caro aos povos da Terra.
Não é difícil perceber que a
sociedade moderna hoje se reveste em milhares de impenetráveis microcosmos que
não se comunicam, não interagem, e estão ficando, num processo contínuo, a cada
dia mais distantes de qualquer contraditório, com cada um cimentando e
defendendo suas verdades. O escritor e colunista Moisés Naím, especialista
em economia e política internacionais, a grosso modo, denomina esses
microcosmos e micropoderes. Já abordei esse tema também por duas vezes neste
espaço. É a partir dessas bases que são feitas as escolhas, não só das
coisas, mas também dos governos.
Escolher ou julgar um fato,
uma coisa, um destino tendo por base um “único lado da moeda” é perigoso em
todos os sentidos, até porque nada é absoluto. Defendo que é preciso olhar o
todo, analisar todas as variáveis possíveis para um aprimoramento dos nossos
julgamentos, ou para um melhor fechamento das nossas escolhas, seja a compra de
um carro ou do próximo dirigente do município, do Estado ou do País. Como diria
o Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o português José Saramago: “É preciso
sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.” E aí eu
completo: é preciso visitar outros “cosmos” para conhecer o universo por
inteiro.
Julgar não deixa de ser uma
escolha, já que você opta por essa ou aquela tese. O homem é assim, um
animal julgador por essência. Julga não só pessoas, mas também fatos e
coisas. “Nem a mãe natureza escapa”. São julgamentos, na maioria das vezes, sem
direito ao contraditório e à ampla defesa, onde o indubio pro reo, máxima do
direito que diz que na dúvida deve-se beneficiar o réu, anda a léguas de
distância. As sentenças são sumárias, e quase todas condenatórias. Coitados de
nós.
Vivemos tempos em que as
opiniões voam como penas ao vento, espalhando julgamentos levianos. E o
problema não é apenas julgar, mas a rapidez com que se forma um veredicto. Um
deslize capturado por uma câmera de celular vira motivo de execração pública em
minutos. Em questão de horas, uma vida pode ser arruinada sem que haja espaço
para o outro lado da história. A superficialidade, alimentada pela necessidade
urgente de opinar, não nos permite ver a profundidade de cada ser humano, de
cada situação.
Ainda há tempo de refinar
nossa arte de julgar. Talvez o grande segredo seja deixar de lado a ansiedade
de emitir um parecer imediato e, antes de mais nada, escutar. Escutar o outro,
o silêncio, as entrelinhas. Porque, afinal, antes de julgar o mundo, é preciso
primeiro entender o que se passa dentro de nós mesmos.
sexta-feira, 13 de setembro de 2024
Quando as raízes são fortes, não importa o tamanho da poda: a vida volta a brotar
A árvore sentada
ElsonMAraujo
Na BR-010, no trecho urbano de
Imperatriz, entre o Riacho Cacau e a área do 50º BIS, ainda é possível
encontrar algumas espécies da flora amazônica e do cerrado. Entre elas,
destacam-se os ipês, mangueiras, cajueiros e faveiras. Algumas dessas árvores
foram plantadas nas décadas de 1990 e 2000, mas, com um olhar mais atento,
ainda se encontram exemplares remanescentes da década de 1960, quando o
engenheiro Bernardo Sayão comandou a construção da rodovia que transformou,
para sempre, a história de Imperatriz.
Transformei em hábito, sempre
que percorro esse trecho da BR-010, tentar identificar as árvores mais antigas.
Imagino-as e admiro-as como verdadeiros totens de nossa ancestralidade. Talvez
não houvesse celulose suficiente para todos os acontecimentos guardados no DNA
da bruta seiva que corre em cada uma delas.
Não é difícil identificar
esses monumentos ao longo da rodovia. As mais resistentes ao tempo permanecem
entre a Rodoviária Velha e o 50º BIS.
Nas idas e vindas pela BR,
muitas vezes fui tentado a parar para fotografar, especialmente nos meses de
julho, agosto e setembro, quando os ipês florescem neste canto do país, onde se
entrelaçam os biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga. Tenho muitos registros. Um
dos mais preciosos é o de uma antiga faveira, que chamava atenção não só por
sua imponência e a enorme copa que oferecia sua generosa sombra nos dias de sol
ardente, mas também por uma característica singular: parecia estar sentada.
Além disso, resistiu bravamente a inúmeras intempéries que quase a arrancaram
daquele solo.
Uso o tempo passado para me
referir à famosa árvore sentada da BR-010, imortalizada em uma tela do jornalista,
escritor e artista plástico João Marcos, exposta no Centro Cultural Tatajuba,
porque ela, de fato, virou memória. Recentemente, num dia de sol forte, passei
pelo local apenas para revê-la, mas ela já não estava mais lá. Pensei, de
início, que tivesse sido retirada pelas mãos humanas, mas logo descobri que, em
um desses dias de fortes rajadas de vento, seu tronco já cansado não resistiu.
De sentada, a árvore tombou. Ficaram apenas as raízes.
Não é figura de linguagem, nem
licença poética. Digo que chorei, e não é metáfora. Foi uma tristeza sincera.
Os dias passaram. E nesta semana, precisamente na quarta-feira, 11 de setembro,
algo me chamou a atenção ao passar novamente pelo local: das raízes que
permaneceram firmes, brotavam novos fios de um verde intenso, quase doloroso de
tão vibrante. Um sinal claro de que a vida ali está se renovando. Uma bela
lição: quando as raízes são fortes, não importa o tamanho da poda, a vida
sempre volta a brotar.
Penso que essa árvore é uma
metáfora viva da própria cidade de Imperatriz. Assim como ela, a cidade
enfrentou ventos contrários ao longo de sua história. As tempestades das crises
econômicas, as podas de períodos de descaso e até a força devastadora das
chuvas fortes. Mas, como as raízes daquela faveira, as de Imperatriz também são
profundas, fincadas no solo da resistência e da coragem de seu povo. E, como
ela, a cidade insiste em renascer, mais forte, a cada golpe do destino.
Vejo também, na resiliência da
árvore, um reflexo da vida de cada um de nós, que, muitas vezes, somos
obrigados a enfrentar perdas, quedas e desilusões. São nesses momentos, quando
a poda parece mais severa, que nossas raízes mais internas precisam se firmar e
buscar o que de mais forte e verdadeiro temos dentro de nós. A natureza nos
ensina que o renascimento não é apenas um ato de sobrevivência, mas de
esperança.
Agora, cada vez que passo pela
BR-010, olho para o ponto onde a velha faveira um dia se ergueu e sinto que ela
ainda está ali, de alguma forma, presente. Suas novas folhas são promessas
verdes que murmuram silenciosamente ao vento: sempre haverá um retorno, uma
nova vida, uma outra oportunidade para florescer. Porque a vida, mesmo quando
parece ter terminado, sempre encontra um jeito de se reinventar, de recomeçar —
como se fosse uma semente, germinando outra vez, no terreno fértil de nossas
histórias.
sábado, 10 de agosto de 2024
A VIDA EM TODO LUGAR
ElsonMAraujo
Não diria que é uma paixão, mas confesso que tenho um grande apreço pela fotografia. Durante aproximadamente cinco anos, vivi uma espécie de encantamento por essa arte, que floresceu a partir da minha admiração pelos trabalhos do renomado maranhense Brawnir Meireles, um dos melhores fotógrafos do Brasil. Também me inspirava nas obras do fotojornalista Daniel Sena, cuja maestria era inegável. Quando ocupava um cargo público, incentivei a Fundação Cultural de Imperatriz (FCI) a promover um concurso de fotografia. O evento contou com pelo menos sete edições e atraía muitos artistas da luz, movimentando a cena cultural da cidade por um longo período.
O “Olharte Imperatriz”, sob a direção do
inquieto Lucena Filho e sua equipe, tornou-se um marco na história local.
Embora a intensidade do meu amor pela fotografia tenha diminuído, o apreço pela
arte permanece.
Para aqueles que escrevem, a
fotografia é um poderoso estímulo. Muitas vezes, a beleza – ou a falta dela –
chega com uma força tão intensa que apenas capturar a imagem não é suficiente;
é preciso também eternizar aquele momento em palavras. Já vivi essa experiência
várias vezes e considero essa prática uma valiosa ginástica para fortalecer e
estimular as conexões cerebrais.
Recentemente, deparei-me com
uma cena que me impactou profundamente e que logo procurei registrar.
Infelizmente, perdi o registro quando formatei meu computador. Tratava-se do
nascimento de uma flor vinca em um local dos mais improváveis:
no vinco de uma parede que mais recebe a luz do sol em minha casa. A pequena
planta, que sobreviveu por pelo menos cinco meses, brotou no concreto puro, sem
qualquer adubo. Mesmo assim, todos os dias, saudava os moradores da casa com
sua brancura (existem outras cores), impressionando-me com sua resistência e
capacidade de sobrevivência.
O fato de a vinca ter surgido
em um ambiente tão hostil pareceu-me uma metáfora para a vida. Em meio às
adversidades e à falta de condições ideais, a vida ainda é capaz de encontrar
um caminho. Essa experiência me ensinou que, mesmo em circunstâncias desfavoráveis,
com um pouco de água, atenção e um ingrediente primordial chamado amor, a
sobrevivência é não apenas possível, mas muitas vezes surpreendente.
Além disso, a vinca,
cientificamente conhecida como *Catharanthus roseus* ou *Vinca rosea*, também
chamada de planta boa-noite ou vinca de Madagascar, possui propriedades
medicinais notáveis. Rica em alcaloides, esta planta é recomendada para
auxiliar no tratamento de feridas, diabetes e pressão alta, devido às suas
propriedades cicatrizantes, diuréticas e antidiabéticas.
A presença dessa planta em um
local tão improvável não é apenas um testemunho de sua resiliência, mas também
um lembrete de que, em muitos aspectos, a vida, assim como a vinca, encontra
maneiras surpreendentes de prosperar.
Ao refletir sobre a
perseverança desta pequena planta, percebo que cada um de nós, em nossas
jornadas pessoais, pode encontrar inspiração e força nas circunstâncias mais
inesperadas. Talvez, assim como a flor vinca, possamos todos florescer e prosperar,
mesmo quando o cenário à nossa volta parece menos que ideal.
domingo, 28 de julho de 2024
CREIO
Ao longo da vida, por diversas
questões, pessoais e também circunstanciais, cheguei a duvidar da existência de
Deus. Nasci e cresci num lar cristão/católico. Batismo, Primeira Comunhão,
crisma, clube de jovens, movimentos carismáticos, enfim, fiz tudo que um jovem
cristão, nascido num lar católico, por tradição familiar, no início da vida
precisava fazer. Anos depois, frequentei a Assembleia de Deus. Imagine então o
dilema que vivi quando das vezes em que duvidei da existência do Criador? Tudo
ficou só comigo. Tema sensível, socializo pela primeira vez aqui neste cantinho
semanal. Mas, e tudo tem sempre um mas, minha descrença durou pouco.
Costumo hoje dizer, em tom de
brincadeira, que tentei algumas vezes ser ateu. O ateísmo é a ausência de
crença em uma ou mais divindades, mas no senso comum se convencionou que é a
pessoa que não acredita em Deus. Enfim, minha tentativa de virar um “sem Deus”,
graças a Deus, foi frustrada. É que por mais que tentasse provar, para mim
mesmo, a inexistência dele, a coisa não dava certo. Sabe o porquê? É que a cada
tentativa, mais Ele aparecia na minha frente, estando presente em tudo que via.
Vez por outra, lembrava daquela saudação, típica do islam. ”O Deus que habita em mim, é o mesmo que
habita em você”. Uma frase que hoje considero de uma profundidade
extraordinária.
Em outra ponta, recordava dos
tempos da catequese quando fui ensinado que Deus mora dentro de nós, e que
nosso corpo é o templo do Espírito Santo, um dos componentes da Santíssima
Trindade. Na época de infância, não tinha, mas que hoje faz muito sentido para
mim.
Como uma coisa puxa outra,
também vinha até mim o conceito bíblico que diz que Deus verdadeiramente é
onisciente, onipresente e onipotente e que possui várias moradas, uma delas no
nosso interior. Não tenho mais dúvida da existência de um Ser Superior, que
tudo sabe, que tudo vê, que equilibra o universo quando há necessidade de
equilibrá-lo e que, de igual modo, o desequilibra.
E foi numa dessas noites
insones, em que a mente teima em rever o passado e imaginar o futuro, que me
peguei refletindo sobre a simplicidade da fé. Lembrei-me das palavras de um
santo católico, que dizia que é no silêncio do coração que Deus fala. Na
minha mente inquieta, algo insistia em pontuar que não é preciso buscar sinais
espetaculares ou milagres grandiosos para sentir a presença de Deus. A presença
divina se manifestava nas pequenas coisas, nas sutilezas do cotidiano, no
sorriso de uma criança, no pôr do sol, no abraço sincero de um amigo. Essas
pequenas manifestações me fizeram perceber que Deus não está distante, mas sim
intimamente ligado a cada momento de nossas vidas.
Gosto muito de ler textos
sobre esse tema e da lavra de autores de diversas confissões, evidentemente
construídos em momentos de profundas reflexões. Ouso até dizer que essas
reflexões são provocadas pelo próprio Criador de todas as coisas. Dias desses cheguei
a uma conclusão: Estou certo? Não sei! Contudo, essa conclusão não sai da minha
cabeça: a de que nesse lado do Planeta Terra, nos “ensinaram” Deus de forma
deturpada. O homem complicou demais a existência dele ao cercá-lo de verdades
engarrafadas, utilizando-o, por meio das religiões, como instrumento de
dominação. Outra conclusão: a relação com Deus é mais simples do que muitos
imaginam, principalmente porque somos uma de suas moradas.
Deus existe sim! Está presente
em todos os lugares, em todos os momentos, inspirando e se mostrando, o tempo
todo, a todos os seres da Terra. Deus existe sim! E se faz revelar a todo
momento. E, assim, na simplicidade da fé renovada, encontrei paz e um sentido
profundo para a minha existência, percebendo que, em cada pequena coisa, Ele se
revela e nos convida a viver com amor e gratidão.
ALQUIMIA DO RECOMEÇO
Somos valiosas criaturas/Unimos em só corpo minerais diversos/Somos terra mas, também somos ferro , chumbo , níquel , alumínio , diamante...
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