Corpo Sofrido
Meu corpo sofrido
abre espaço para
lembranças encravadas
nas células ancestrais,
prenhes da gênese das vidas
que conscientemente
não vivi.
Abraço o tempo!
Vão é o resgate das memórias
esquecidas,
perdidas na imensidão desconhecida.
Vidas adormecidas dormitam em mim.
O vento me bafeja
e sussurra no meu ouvido:
te acalma,
um dia de cada vez.
Incerteza
Assim vejo o mundo:
nada definido,
nada conclusivo.
Humanos desumanizados,
caldeirão de incertezas.
O certo é o errado,
o errado é o certo.
Minha certeza é incerteza.
Nada sei!
Para que serve o que
acho que sei?
Na carne
O inferno no
inverno é
refrigério.
Ossos incinerados,
carne queimada,
nada feito.
Diante de um espírito
inquieto e
imune à dor.

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