quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Monólogo da Saudade



- Amanheci com saudade. Só não me pergunte do que.


-Se me perguntares agora certamente não saberei responder.



-Só sei que sinto falta de algo que não sei definir.


-Será da minha adolescência distante ou da minha, até então, santa , e imaculada  inocência perdida? 


-Tem dia que a saudade me faz sorrir. Em outro, que coisa louca, é um choro danado.


-Quem mesmo inventou essa tal de saudade?

Olhando aqui pela janela do quarto vejo as horas passarem mais rápido do que de costume.

Deito-me, fecho os olhos e,  deixo esse danado do tempo me levar para as  saudades perdidas na multiplicidade do  meu pensar.

Uma nova vida



Untado de óleo um novo corpo com cheiro de âmbar
Firme, rijo, segue caminhante rumo á felicidade.
Um novo corpo,
Uma nova vida
Uma nova  alma
Uma nova mulher

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Karina



Sempre gostou de ler. Aos quatro anos de idade lia perfeitamente com todos os pontos e vírgulas.  Aos dez, o quarto  dela já não cabia mais tantos livros.

Lia de tudo. Dos clássicos da literatura brasileira, passando pelas revistas em quadrinhos e, até os considerados impróprios para sua idade.  A leitura destes, aliás,  era feita  ás escondidas e, de  preferência na intimidade do banheiro, longe dos  olhos sempre vigilantes  dos pais e da chata da irmã mais velha.

Uma vez  vacilou. Trocou o banheiro pelo quarto  e não deu outra: a dita irmã lhe flagrou alta madrugada lendo um livro de contos eróticos encontrado um dia,  por acaso,  debaixo do colchão da mãe.

Nunca tinha lido algo parecido.  

Karina  completava naquele dia  dezesseis  anos. Estava no final de Delta de Vênus, Histórias Eróticas de  Anais Nin,  escritor francês  nascido no início do século XVIII.  

Os olhos estavam  grudados nas páginas do livro e a mão direita  suave e naturalmente  massageava  a vagina , já  úmida.

Naquele instante Karina se deliciava com a narrativa de um encontro homoafetivo num  conto chamado  Helena.

Incontrolável agora, como uma maníaca de primeira grandeza, Bijou atirou-se em cima do corpo de Elena, abriu suas pernas, colocou-se entre elas, colou-se ao sexo de Elena e se mexeu, mexeu-se desesperadamente. Arremeteu contra Elena como um homem para sentir os dois sexos se encontrando, se soldando. Então, ao sentir o prazer chegando, deteve-se para prolongá-lo, caiu de costas e abriu a boca para o seio de Leila, para mamilos incandescentes em busca de carícias.

Á proporção  que mergulhava na leitura  do conto a  mão de Karina  se  movimentava  com mais avidez por dentro da calcinha. Por um instante largou livro e se entregou àquele momento só seu.  A  ninfeta foi deslizando lentamente do encosto da cama com as pernas dobradas.

Enquanto a mão direita era movimentada dentro calcinha a esquerda apertava com intensidade  os seios. Estava perto do seu primeiro orgasmo, aquela coisa tão gostosa que as colegas de escola, mentindo ou não, diziam que já tinham sentido e,  que nela despertava tanta inveja.

O livro causador de todo aquele feitiço   jazia ao lado de Karina enquanto esta se deliciava com o poder e suavidade de suas mãos.  Prestes a explodir  soltou um grito.

Um misto de dor e prazer tomou conta de seu corpo. Acabava de receber   violentamente uma cintada  da chata da irmã mais velha que lhe atingiu a barriga e os braços

- O que tu estás  a fazer, coisa ruim? Vou já dizer pra mãe-  

Hoje  20  anos depois,  com uma taça  de vinho numa mão, e um cinto de couro balançando  na outra , Karina na noite do seu aniversário de 36 anos,    olha sorridente  para sua companheira de quarto deitada languidamente sobre uma  espaçosa cama com um livro erótico na mão, e   diz – E aí, pronta.  Vamos começar? 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A alegria dos vermes ou uma vela pra tu




Vês, de nada adiantou tanto poder, tanta presunção esse tempo todo.

Perdeste a oportunidade que foi  dada a ti  para distribuir e viver  o amor  em todos seus  matizes.

Como diz aquela música:  devia ter amado mais...Ter visto o sol nascer.

Tantos anos sobre a Terra, e nada!

Se essa era tua missão. A de não amar, que missão escrota, essa.

Devia  ter encantado o mundo com tua beleza humana  e feito os filhos da Terra felizes, mas não.

Preferiste seguir a trilha do mal, do escárnio, do desamor.

Uma pena!

Adiantou alguma coisa?  Nada!.

O sangue derramou.

Nem lágrima terá para refrigerar tua alma perdida.

Não adianta mais, nada.

Agora jaz, aí, tua carne podre sendo consumida aos poucos.

Pelo menos, nessa forma, cumpre  uma missão: a de fazer a alegria e a   felicidade dos vermes.

É, com tudo isso, quem sabe alguém, solitariamente, passe aqui hoje  pra acender uma vela pra tu.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

VIDAS


Vida bela
Bela vida
Vida Curta
Curta  a  Vida
Nas  Avenidas  da vida 
esquinas  de desafios
 Nessa vida,  vida curta,
 Curta vida. 

sábado, 20 de outubro de 2012

Tribunal



Trancado  num canto oculto da minha alma encontro-me.

Peço socorro a mim mesmo. Sou minha última esperança.

Acuso-me e,  me defendo quase que ao mesmo tempo. A esse  mesmo tempo sou  advogado , promotor e juiz.

O  tribunal está vazio, sem plateia. É  apenas eu  frente a frente comigo. 
Começa o julgamento. 

Culpado ou inocente?

Minhas porções de advogado, promotor  se digladiam  observados  por meu lado juiz.

Os debates se acirram entre os meus  EUS.

Choro!

Aguardo a sentença.

Culpado ou inocente?

Termina o julgamento.

Meu lado juiz  deu-se  por incompetente,  incapaz de  me condenar e,  também de me absolver.

O julgamento foi suspenso sem data certa para reiniciar.

Mais uma vez estou livre.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

RECIPROCA



Teu  olhar percuciente  desnuda  meu ser , e revela  meu mundo.

Me  empresta, por alguns instantes,  seus olhos.  Assim   poderei,  também, desnuda-la  e conhecer-te melhor. 

A CIDADE INVISÍVEL

ElsonMAraujo O desafio veio do amigo João Batista, ex-deputado, com quem estreitei amizade nos últimos doze meses e com quem costumo convers...