Nesse cantinho perdido da "NET" você vai encontrar textos diversos. Poemas, artigos, impressões, comentários sobre fatos e coisas. Se por um acaso qualquer você acessá-lo, deixe um comentário, um recado, uma dúvida, enfim, marque sua passagem. Um forte abraço e, boa leitura
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Vazio
BASEADO EM FATOS REAIS
... Do alto da ponte olhou para o nada. Não sentia a brisa da manhã beijando-lhe o rosto, nem o sol tocando-lhe a pele. Nenhum sentimento aparente. Tinha uma ideia fixa. Estava oco emocionalmente.
Já no beiral da ponte ouviu o choro de uma criança. Olhou para trás e não viu nada. Assustado, recuou e, começou a chorar.
Ananias lembrou do filho recém nascido que seria batizado no Domingo seguinte e voltou para casa.
terça-feira, 9 de julho de 2019
ESQUALIDO ANDANTE
O ácido- gástrico -gasta
O último elemento sólido que jaz
Naquele esquálido ser andante.
Olhar fixo no horizonte onde nasce o sol e
a esperança, o ser andante
Apressa os passos.
A energia do elemento sólido é consumida
Com rapidez pelo gastro suco que já
Consome suas vísceras e provoca dores
No corpo e na alma.
O esquálido ser andante fixa o olhar
no horizonte onde o sol nasce e morre,
reúne as últimas forças e
corre,
corre
e corre.
quarta-feira, 26 de junho de 2019
VELÓRIO E TIROTEIO
O nome dele eu não sei. Só sei que cometeu um crime e por isso estava
preso já a algum tempo. Um dia a segurança deu um vacilo e ele escapou e nessa
condição poderia ter permanecido se não fosse por uma dessas ocorrências que “
bolem” muito com qualquer bicho que esboce algum tipo de emoção. No caso em
apreço, a morte do pai do fugitivo do sistema penitenciário.
No esconderijo foi informado da
triste ocorrência. Consta que chorou muito após lembrar da figura do paterna
com quem conviveu durante anos e que naquele instante jazia num caixão e, era
velado pelo restante da família e amigos. Precisava se despedir do pai morto mesmo
correndo o risco de ser recapturado.
A emoção venceu o medo. O fugitivo
levando consigo a tristeza, e as boas lembranças do pai decidiu ir ao velório. A
presença dele naquele ambiente cheio de
tristeza e lágrimas logo chamou a
atenção de alguns curiosos que já sabiam que {ele} tinha escapado da
cadeia. Logo um alcaguete , ou “
cagueta como é chamado no jargão
policial esse tipo colaborador da polícia, tratou de avisar as autoridades.
Não demorou muito a presença da
polícia foi sentida no lugar. O fugitivo, armado, ao perceber que poderia voltar pra prisão
entrou em processo de fuga diante dos olhos de todos. A Polícia percebeu a
movimento dele e pôs-se a persegui-lo. A
“caça” correu para um matagal ali perto, os policiais atrás.
Ao longe o som de alguns estampidos
deixou o povo do velório atordoado e
apreensivo. O forte tiroteio era
prenúncio de que poderia haver um banho de sangue no até então pacato povoado.
Não houve.
O enlutado fugitivo do sistema penitenciário conseguiu
se livrar do cerco policial e
desaparecer no meio do mato. Foi
terminar de chorar a morte do pai muito longe da polícia e dos parentes que
deixou para trás.
terça-feira, 25 de junho de 2019
AO VENTO
Pedaços de mim lançados ao vento
Como folhas secas
Pousam, ora no mar,
Ora no rio,
Ora na copa das árvores,
Ora num ninho de passarinho.
O vento se foi indo.
Sem a força dele
pedaços de mim,
como folhas secas,
se assentaram
na grama verde.
Ali, quietinha,
ela se alimentou de mim, eu
dela.
Eternizados fomos.
sábado, 22 de junho de 2019
TALENTOS DO MEU PAi
Meu pai era múltiplo. De tudo fazia um pouco. Ourives, barbeiro, flandreiro (funileiro). Também era um craque com a palha do babaçu .
Muito procurado fazia com zelo alianças de ouro de casamento, e anéis de prata.
Do flandre confecionava lixeiras, lamparinas, bombas de querose, fogareiros e, aqueles aviõezinhos que amarrados a uma linha forte e rodados sobre o eixo do corpo da gente fazia tanto barulho que deixava enlouquecido quem estava por perto. A meninada gostava muito já os adultos, não.
O mestre Zuza era muito bom com as mãos. Rapidamente cortava a palha e confeccionava com agilidade um abano, cofo, esteira e o que a criatividade apontasse.
Nas horas vagas ainda tecia tarrafa pra ele pescar.
Orgulhava-se de ter aprendido a tecer tais utensílios com minha avó Inês Brito.
De tudo meu pai fazia um pouco mas sua paixão era mesmo a música. Aprendeu sozinho a tocar saxofone ainda quando criança e não parou mais. Notas musicais só veio a conhecer tecnicamente já homem feito.
Dizia que só deixaria de tocar quando Deus o levasse e assim o fez. Papai partiu deste plano num 17 de Abril, seis dias após completar 74 anos. Pouco antes de cair doente fez um esforço danado e deixou como herança dois CDs com músicas de sua autoria produzidos pelo mestre Hélio Amaral. Quando a saudade arrocha me ponho a ouvi-los e a lembrar da figura carismática que foi e sempre será o Mestre Zuza.
Muito procurado fazia com zelo alianças de ouro de casamento, e anéis de prata.
Do flandre confecionava lixeiras, lamparinas, bombas de querose, fogareiros e, aqueles aviõezinhos que amarrados a uma linha forte e rodados sobre o eixo do corpo da gente fazia tanto barulho que deixava enlouquecido quem estava por perto. A meninada gostava muito já os adultos, não.
O mestre Zuza era muito bom com as mãos. Rapidamente cortava a palha e confeccionava com agilidade um abano, cofo, esteira e o que a criatividade apontasse.
Nas horas vagas ainda tecia tarrafa pra ele pescar.
Orgulhava-se de ter aprendido a tecer tais utensílios com minha avó Inês Brito.
De tudo meu pai fazia um pouco mas sua paixão era mesmo a música. Aprendeu sozinho a tocar saxofone ainda quando criança e não parou mais. Notas musicais só veio a conhecer tecnicamente já homem feito.
Dizia que só deixaria de tocar quando Deus o levasse e assim o fez. Papai partiu deste plano num 17 de Abril, seis dias após completar 74 anos. Pouco antes de cair doente fez um esforço danado e deixou como herança dois CDs com músicas de sua autoria produzidos pelo mestre Hélio Amaral. Quando a saudade arrocha me ponho a ouvi-los e a lembrar da figura carismática que foi e sempre será o Mestre Zuza.
terça-feira, 11 de junho de 2019
SEM RUMO
Com fome,
Sem nome,
Solto,
Sem rumo,
Triste,
o olhar
Cansado
O bicho para,
Deita-se lentamente
Ossos no chão,
Lambe as feridas
E como último
alento
Estende as patas na
esperança
De encontrar o amor
perdido dos homens.
MÃES E FLORES
As
flores são formadas
Por
pequenos corações.
Umas
têm dois, três,
Quatro,
cinco às vezes seis
Coraçõezinhos.
Segundo
os poetas,
É do
coração que brota o amor.
Logo,
se uma flor tem vários corações,
É
possível que elas amem mais e
assim,
tenha espaço para amores prurimos.
As
mães são tal qual flores:
Têm
vários corações.
Deve
ser por isso que elas amam mais.
Viva,
portanto, as flores!!!
Viva
as mães!
Assinar:
Postagens (Atom)
A CIDADE INVISÍVEL
ElsonMAraujo O desafio veio do amigo João Batista, ex-deputado, com quem estreitei amizade nos últimos doze meses e com quem costumo convers...
-
ESPERANÇA Então, nada aconteceu. Esperança não nasce em árvores Ela nasce no mais recôndito cantinho do coração ENTRE/MENTES Entre mentes ...
-
Palavra sem nexo rimada com sexo, Sem sexo, Sem nexo, tenta engravidar o ar que respiro na esperança de gerar poesia






