domingo, 24 de abril de 2011

"POEMANDO"


Pedaços

No tempo, no vento, nas idas e vindas...

No choro, no riso, no sangue, no ar,

Sempre, no todo, um pouco muito de você.

Um pouco de mim

Um tiquinho de ti

E, o que era verbo virou carne.



Agricultando

Quem planta colhe! Quem planta cedo colhe cedo, quem planta tarde, colhe tarde; todavia, que não planta nada, nada terá a colher.

Reciprocidade

Aquele beijo atrai meu beijo, aquele abraço atrai meu abraço, aquele riso atrai meu sorriso, aquele bom dia atrai, e motiva o meu bom dia, aquela raiva atrai minha raiva, aquela vingança atrai minha vigança ; aquela esperança atrai minha esperança; a esperança de uma sociedade mais justa e fraterna.





 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Canibalismo social

Banquete canibal-foto ilustrativa

O Mundo vive um lento e acelerado processo de embrutecimento com o ter sobrepondo-se ao ser. A máxima de Alexandre Dumas de “Um por todos, e todos por um” consignada na fábula de “Os três mosqueteiros” há muito não voga na sociedade moderna.

Vivemos hoje sob o império absolutista do EU, que tem levado o homem a se contextualizar sob o manto de uma espécie de “canibalismo social”, e a deixar ser dominado por um desejo mórbido de destruir o outro a favor do seu bem estar não importando as conseqüências.

Esse processo, extremamente virulento, tem custado a vida de milhares de pessoas produzindo na sociedade um estado permanente de insegurança e incerteza.

É, na verdade, ninguém se sente completamente seguro nas mais diferentes vertentes e interpretações do que venha a ser SEGURANÇA.

O vírus do “canibalismo social” se prolifera muito rápido e, às vezes é letal. Há, no entanto, uma certeza: se esse vírus não for contido, chegaremos rapidamente, ( se já não chegamos) a um processo de convulsão social.

Algumas das consequencias desse vírus já podem ser sentidas como, por exemplo, a banalização do crime; a destruição dos valores familiares, a falta de respeito mútuo, entre outros. Assim, um assalto, um estupro, uma ofensa ao semelhante; um assassinato, tonaram-se hábitos tão simples como mudar de roupa.

Diante desse quadro, infere-se que “o ser humano” necessita ser salvo e resgatado sob pena deste Planeta chamado Terra se tornar .definitivamente , um lugar insuportável para se viver ficando assim comprometida a vida das futuras gerações.

A cura- Talvez a cura ou o antídoto para este mal esteja no próprio homem começando por um processo de reavaliação do que venha a ser humano, e no fortalecimento das instituições como Familia, Escola, Igreja, ECT. “Não seria o momento para estas instituições reavaliarem seus ritos e suas verdades na formação do homem? Há, de fato, alguma coisa errada!

Conclui-se que a tarefa da criação de um novo homem está nas mãos do próprio homem. As atenções têm que se voltar para a fundamentação de um ser humano livre, que se sinta, realmente parte integrante do UNIVERSO, e assim, realmente seja impelido a imergir no preceito bíblico de amar uns aos outros, e que passe a carregar sobre si , a certeza de que ao fazer o mal a alguém ou, à Natureza estará ofendendo a si mesmo.



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Diálogo da dor

                                                         Foto do blog compartilharcom.blogspot.com


Os dois num momento de introspecção começaram  a conversar sobre a dor.

-Qual  dói mais, a dor do corpo ou a dor da alma?

-É a dor que vem  da ferida, creio eu.

-Mais que ferida, a da alma ou do corpo?

-Ambas são dolorosas.

-E têm cura, essas dores?

 - A do corpo é mais fácil, a da alma é mais difícil. É preciso um arrastão interior, uma viagem por um íngreme caminho para se poder pensar na possibilidade de cura da dor da alma. Cada corpo, cada alma, uma resposta diferente.

- Não entendi

-Para se entender, é preciso ser humano, é preciso sentir, viver a dor, e aprender com ela.

-Não entendi

-Eu também, não pois   ainda busco a cura de minha alma ferida. 

domingo, 17 de abril de 2011

Crônica do bom humor


De todas as estratégias que conheço para atrair bons fluídos, bons negócios e boas companhias, manter o bom humor é a mais infalível delas, uma arma poderosa para quem deseja manter distante a ingrisia e todo tipo de energia negativa que vez por outra teimam chegar próxima da gente.  

O bom humor é tão poderoso que antes da existência dos fortes medicamentos para combater males como a depressão, a literatura revela que os médicos aconselhavam aos pacientes a deitar, olhar para cima e ficar procurando motivos para sorrir. 

Se o paciente ficava curado, eu não sei, o que sei é que é visível a sensação de bem estar que o bom humor provoca naqueles que o cultivam.

Tem gente que reclama que as rosas têm espinhos; e se tiram os espinhos, também reclama porque os espinhos não têm rosas. Essa frase, da qual desconheço a autoria, revela o perfil de grande parte das pessoas que ao deixar de cultivar o bom humor espanta, afasta, cria antipatia. Ninguém quer ficar perto de quem só reclama da vida e de todos, o tempo todo.

Conheço  gente em Imperatriz que ganha, no bom sentido, os outros só com o bom humor e com a aura positiva que cria vai tocando a vida. Uma dessas pessoas é o Luís Paraíba, do Brasão. Quem em Imperatriz já não ouviu o famoso bordão “Figuraaaa maaaximaaaa” seguida de uma gargalhada extremamente original.  

Paraíba chegou a Imperatriz anos atrás praticamente na lona e hoje é um próspero comerciante, mas  não é agora que quero falar dele não é de outro Luís, o Luís Paraense ( foto abaixo)

Luis Aires Lima, o Luis Paraense, natural de Marabá (PA) é viúvo e não esconde de ninguém o par de chifres que levou da finada.  Ao invés de ficar chorando nos cantos pelo chifre e pela morte da mulher, encarou tudo com bom humor, abriu um bar cujo principal ingrediente é alegria e o bom humor. Impossível sair de lá sem umas boas risadas. “Fui corno 18 anos” diz ele com uma boa gargalhada.

O Paraense fica na Rua da Lua, na Vila Fiquene, é freqüentado praticamente só por homens.  No final de semana Luís compra 30 quilos de carne, assa e distribui, gratuitamente, entre os fregueses.

Confusão?  Ele diz que é muito  difícil de acontecer, mas já aconteceu e igualmente como a história do chifre  ele encarou na boa, no bom humor:  mandou fazer um facão (inofensivo)  de cerca de dois metros e sempre que alguém tenta brigar ele costuma exibir a arma. 

É só mostrar o facão que tudo termina em risada  com os  eventuais brigões  fazendo as pazes ali mesmo.

Luis Aires de Lima, o paraense, a personificação do bom humor, é o nosso personagem do dia.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um olhar mudou tudo

Não tirava da cabeça aquele olhar percuciente que vira de soslaio naquela manhã quando deixava os filhos, já atrasada, na escola. Ele estava numa esquina como quem esperasse alguém. Não conseguia lembrar-se da fisionomia do dono daqueles olhos, apenas do olhar que quase a deixara nua.

“O que era aquilo, meu Deus” pensou a bem comportada Ednalva.

Jamais imaginou que um olhar causasse tanta transformação na sua vida como o daquele estranho.

De fato, desde aquela manhã Ednalva não foi mais a mesma. Com quase 15 anos de casada descobriu naquele dia, depois do encontro com os olhos do desconhecido sujeito, que ainda era uma bela e atraente mulher.

Ao chegar em casa, com o coração aos pulos, foi ao espelho grande do quarto e com ele começou a interagir. Passou as mãos em concha no rosto ao redor dos olhos como quem quisesse tirar as poucas rugas que ali já se estabelecera; levantou os cabelos longos girou o pescoço para um lado e para outro, passou as mãos pela barriga e cintura indo até a altura das grossas coxas, retornando-as pelo mesmo caminho até os negros cabelos.

“Eu ainda estou viva e bonita!” vibrou interiormente Ednalva.

Desde aquela tarde a rotina de Ednalva começou a sofrer algumas transformações. A primeira delas, depois da redescoberta da beleza esquecida ao longo dos 15 anos de casada, foi não chegar mais atrasada na escola dos filhos, o motivo era só um: reencontrar o dono daqueles olhos que a fizera sentir o que não sentia desde o dia em que conheceu o homem com quem estava casada, seu único namorado, em toda vida.

Aquele olhar do homem misterioso virou a cabeça de Ednalva. Para onde ia, para onde se voltava, aquele olhar lhe acompanhava. Até quando ia dormir, lá estavam aqueles olhos lhe atormentando o juízo.

Um dia, enquanto tomava banho, e se prepara para dormir, passou a se admirar novamente diante do espelho. Mais do que isso, passou a tocar o corpo nu.

Passou a ter orgulho dos seios ainda firmes e naquele instante intumescidos pelos frios pingos d água que caiam do chuveiro. Também gostava da bunda, bem avantajada.

Com o olhos fechados Ednalva passou subir e a descer suavemente as mãos pelo corpo ensaboado. A esquerda se ateve aos seios e a direita, se concentrou detidamente numa vagina mais do que irrigada.

Os movimentos da mão direita se aceleraram. Ednalva soltou um grito, abafado pelo som da água do chuveiro. Acabara de conseguir, mais uma vez, com as mãos o que há anos tentava com o marido: um bom, relaxante e solitário orgasmo; só que daquela vez teve a companhia imaginária do dono do diabo daquele olhar que lhe despira há três meses quando deixava as crianças na escola, que não saia mais da cabeça e que lhe fez redescobrir que ainda era uma bela e caliente mulher.





terça-feira, 12 de abril de 2011

CONFUSÃO


Penso que se não fosse assim,  sería mesmo daquele jeito.
Do  jeito que imaginei que um dia fosse e,  que acabou não sendo.
Se um dia ocorresse o que  imaginei, sería tudo diferente.
Não estaria lá imaginando uma maneira de não fazer aquilo que acabou ocorrendo e mudando o rumo das coisas

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Virgem e o coronel


Todos  tinham  medo do coronel  Francisco Libório da Fonseca  naquele distante povoado nordestino. Também não era pra menos. Era dono de quase todas as terras do lugar. Casava, batizava, matava e mandava capar, como fizera  com um sujeito que olhou enviesada para sua filha única,  que depois mandou estudar na capital.  O coitado depois de capado, envergonhado, foi embora do lugar com medo de ser morto. O homem era, de fato, muito cruel.

A própria figura do coronel  impunha medo. O homem era  grande e todo peludo.  O rosto quadrado;  uma barba que chegava ao peito  e um bigode que fazia voltas. Gostava de botas, sempre ornamentadas com um belo par esporas.  Também não dispensava um 38 cano longo na cintura. Naquele tempo de um ano qualquer de nosso senhor Jesus Cristo um homem como Libório, podia quase tudo.

O coronel  detestava ser enganado. Quem pelo menos tentasse passar a perna nele  acabava pagando um preço muito alto, às vezes até com a vida.

Pois bem, o coronel  Libório já tinha enviuvado três vezes. A primeira morreu de parto,  a segunda morreu afogada numa pescaria num dos açudes da fazenda,  e a terceira morreu de taca. Um dia deixou a comida do  homem queimar e se deparou  com  a ira dele.  A pisa foi tão grande que a frágil Maria morreu depois de uma semana.  Nem as canecas  de mastruço com leite lhe ajudaram  a sarar,  morreu toda inchada e vomitando sangue.

“Tá  na hora  de procurar uma nova companheira!”  Disse o  coronel ao capataz da fazenda-

“ Isso aqui tá sem graça demais sem mulher”  completou  Libório.

“Agora, tem de ser  selada. Se for mulher  mexida,  não quero!  E se me enganarem  mato ela e a família toda”  gritou o  coronel.

A notícia logo se espalhou. O Libório ia casar novamente e procurava uma noiva.

Mesmo com a má fama do coronel era mais quem quisesse empurrar uma filha pra casar com o dono de quase tudo ali. Era uma oportunidade para se ajeitar na vida.

A notícia chegou aos ouvidos de Flavinha, a filha do quitandeiro Raimundo Feijão.  Tinha 20 anos,   morara dois anos na capital,  já conhecia o calor de um  homem e acumulava umas boas horas de sexo, mas aos  pais  ela vendia a idéia de quem  ainda era moça.  

Os pais nem  de longe desconfiava dos encontros dela com  Antônio, o ajudante de balcão da quitanda , quase falida.

Flavinha planejou tudo. O  casamento com o coronel poderia salvar o comércio do pai e ela ainda poderia ter uma boa vida.

A danada pensou em tudo. Sabia que o coronel, dia de Domingo, ia sempre à feira; não para  fazer compras, mas para se exibir e contar lorotas nos botecos.

Flávinha  tinha sangue de índio com  Europeu. A mistura  de raça fez vir ao mundo uma mulher de fazer qualquer um perder a cabeça, inclusive o coronel.  Os olhos se perdiam num verde esmeralda de encantar até  a serpente mais peçonhenta.

Dissimulada,  pôs seu  vestido mais bonito , se enfeitou toda e inventou de  visitar a  colega Joana  que morava justamente vizinha  ao  boteco onde o coronel contava suas vantagens.

Não deu outra. Foi o Libório por os olhos  na menina  pra “carne dele reinar”. Todo aceso, foi logo perguntando para quem se quisesse responder.

“De quem é aquela menina ?”

“É  a filha do vendeiro” respondeu um  

“Ela  é moça? Se For,  vai virar minha mulher”
Os homens do boteco indicaram a casa do vendeiro  pai da menina  e, lá se foi o coronel.

“Boa tarde” disse Libório

“Boa”, respondeu o dono da venda.

“Aquela menina é sua?

É, sim senhor!

E  ela é mexida?

“Não coronel, de jeito nenhum”

“Então quero casar com ela! Agora você já conhece minha história. Se vocês tiverem mentindo mato e mando matar todo mundo”

O casamento foi acertado para dali a um mês.

Flavinha vibrou, intimamente,  quando o pai disse que ela iria se casar com o Libório,  o homem mais rico,  e mau do lugar. Só tinha um problema:  não era mais virgem e,   por isso  precisaria arrumar  uma maneira  de  enganar o maldito, mas  rico  coronel.

Bastou dois dedos de prosa com a experiente amiga Joana para a espevitada Flavinha bolar um plano. Se desse errado, ela sabia que ela e a família estariam perdidas. Todo mundo ia morrer.

O casamento foi o acontecimento do ano,  no povoado.  Casaram no padre e no civil.

Flavinha suspendeu  o remédio que tomava  às escondidas  dos pais para não engravidar do ajudante de balcão com quem se divertia quase todos os dias, depois da meia noite,  numa moita,  detrás da Igreja.

Calculou tudo. A menstruação veio  no dia do casamento. Parte do plano já tinha dado certo. Faltava ainda a outra parte. Estava com muito medo.

Bruto feito um animal,  o coronel Libório nem esperou a festa do casamento acabar e arrastou Flavinha pra sede da fazenda.  Tava ansioso para tirar mais um “cabaço”. 

 Fora  as mulheres com que tinha casado, Já havia  feito aquilo umas 50 vezes com as filhas dos peões de sua fazenda e,  se orgulhava do feito.

Esperta, Flavinha  olhou toda lânguida para o coronel e  pediu para juntos tomarem uma dose bem aprumada  de cachaça;  disse que daquela forma  se sentiria melhor para recebê-lo, afinal, era sua primeira vez.
O coronel bebia, Flavinha fingia que bebia.

No dia seguinte, ao acordar com uma puta dor de cabeça e lembrança zero,  Libório tomou um  susto:  “ai, Jesus,  matei a menina! ”

Na cama era sangue pra todo lado. Na calcinha , jogada ao lado do travesseiro, na colcha, na ceroula... Era muito sangue.

Flavinha,  fingia um sono profundo.  O coronel por alguns instantes pensou o pior, daí, mais atento viu a mulher esboçar um pequeno movimento  e , só assim se tranqüilizou.

Em silêncio, vestiu a roupa, pôs as botas, o revolver na cintura, o indispensável chapéu, postou-se na frente do espelho, se ajeitou todo,  sorriu com o canto da boca,  torceu para cima o gigante e esbranquiçado  bigode e pensou cheio de gabolice:

“Sou o coronel Libório da Fonseca, comigo ninguém pode, sou eu e o boi não lambe. Boto mesmo  é pra quebrar.  Com esse, fechei  o meu qüinquagésimo  primeiro cabaço.












A CIDADE INVISÍVEL

ElsonMAraujo O desafio veio do amigo João Batista, ex-deputado, com quem estreitei amizade nos últimos doze meses e com quem costumo convers...