quarta-feira, 27 de julho de 2011

Boemia


Boemia

Abrir a porta, fechar os olhos e sentir a lufada de ar no rosto,
Andar pelas ruas a toa, sorrindo naturalmente  e acenando para os amigos que encontrar
Arrancar  o relógio e arremessa-lo o mais longe que puder;
Libertar-se  das horas e dos compromissos marcados
Parar na banca de revista ler as notícias e  as últimas,  das novelas
Sentar –se à  mesa de um boteco, olhar pra direita, pra a esquerda, pra frente e pra trás a admirar as moçoilas a rebolar
Pedir uma cerveja. Sorve-la  e,  calmamente,  sentir a goela gelar esperando o outro dia chegar.

domingo, 26 de junho de 2011

Livre




Fecho os  olhos e me jogo do alto. Abro os braços  e mergulho   em mundo sem barreiras e  sem regras.

São somente eu e o vento e o tempo. Solto  um grito que só eu escuto no silente templo do meu  mundo interior.

Abro mais os braços tentando desesperadamente respirar. O mundo sem barreiras e sem regras não me deixa sorver o ar de que preciso.

Fecho os olhos e contrariando a força da gravidade retorno ao leito do meu pensar.

domingo, 29 de maio de 2011

A Alma e o Corpo



Sabemos, mais ou menos, de onde viemos,  mas não sabemos para onde vamos...A junção de duas células durante o encontro de dois corpos numa noite,  nem sempre,  de amor, ou num tubo de ensaio de algum laboratório provoca  a explosão de onde brota a vida.   

Milhares, milhões  de anos de história genética;  mutações, adaptações  se juntam  e dão origem ao que convencionamos chamar  de humano.

Ao encontro dessas células  agrega-se o desconhecido, o imperscrutável , “a cereja do bolo”  que nos proporciona a condição de humanos: a alma, o espírito.

 Corpo e alma, alma e espírito num só “ambiente”, num só composto; um vivendo no outro até o corpo,   castigado pelo tempo fenecer ou ser humanamente  destruído.  A inevitável  separação acontece; um volta à condição originária de pó;  o outro,  acredita-se,  inicia sua jornada rumo ao desconhecido.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Alegria e tristeza


-Por que às vezes a gente acorda alegre?

- É  o Espírito de Deus  que levanta mais cedo, te toca e diz: este  é meu.

- E quando a gente acorda triste?


-É o espírito de Deus magoado porque você  se esqueceu de agradecer pela alegria do dia anterior

-E de onde vem essa  alegria?

- Penso que vem da gratidão. A gratidão pelo viver, por ter vindo ao mundo, por ser humano e por tudo de bom ou ruim que acontece com a gente.

-E quando a gente não consegue mais ficar alegre e ser feliz?

-É  quando morremos. 

domingo, 8 de maio de 2011

ZÉ DA MORTE




Leu  num  livro de  um historiador francês,  logo  no  começo da adolescência,  que entre os povos antigos a preocupação do homem era mais de ser  sepultado, ter um enterro decente, do que  propriamente com a  morte. Ficou com aquilo na cabeça e a partir de então estabeleceu uma relação de afinidade com o  fenômeno morte. Só pensava em como seria seu enterro  e  com isso, começou a preparar o que seria seu funeral.

No povoado não perdia um velório. Era morrer alguém e  lá estava  o Zé da Morte, como ficou conhecido o homem, rente nas rezas de despedida do morto. 

Rezava, cantava, chorava,  e ainda dava opiniões sobre o velório.  Ajudava  em praticamente tudo. Fazia aquilo porque queria que fizessem o mesmo com ele quando partisse dessa vida. Acreditava, como os antigos, que se não fosse decentemente sepultado viraria alma penada e passaria a vagar sem rumo. Não queria aquilo de jeito nenhum.

Virou rapaz velho. Não namorava, não ia a festas. Só  imaginava como seria  quando morresse.  Sonhava com a morte dia e noite.

Todo mundo gostava de Zé da Morte, mesmo com o jeito esquisito dele viver. Só andava de preto, dos pés à cabeça.


Chamava atenção um largo chapéu, também preto, usado dia e noite que cobria a face quase por completo.

Por não pegar sol, sua pele branca  ganhou uma coloração amarelada deixando-o mais assustador ainda.

A figura  de Zé da Morte, principalmente à noite quando vinha de alguma novena ou velório, era assustadora. O cara era mesmo esquisito.  Já tinha comprado até  o caixão e a mortalha. Dizia que não queria dá trabalho a ninguém  quando seu dia chegasse.  Quem  ia à  sua casa desavisado  saía  encabulado quando levantava a vista e via   um caixão enrolado num saco Plástico  em cima do guarda roupas.

Zé da Morte   não falava em outro assunto a não ser sobre morte. Os amigos até que tentavam entabular algumas conversa com ele sobre  futebol, roça e  mulher;  esse último assunto  era o  que mais evitava. Tinha medo da  “carne reinar” e queria, dizia ele,  morrer puro.  

- Quando eu me for   quero todo mundo bem vestido, de preferência de preto; muitas flores,  café com bolo pra todo mundo e  a banda da Igreja   tocando meus hinos preferidos. Quero ainda  todo mundo chorando. Se alguém achar que não  vai chorar  no meu velório  é melhor nem aparecer-  dizia ele sempre que se encontrava com os amigos.

O Zé  era tão preocupado com o funeral que abriu até uma poupança  para custear as despesas. O que ganhava  ajudando a organizar  velórios, depositava  na conta aberta na sede do povado que só ele e   a madrinha de batismo sabiam da senha.

Alguns moradores do povoado  viam no  Zé da Morte uma grande piada.  Essa impressão só acabava quando alguém ia a casa dele e este  lhes  mostrava a mortalha e  o caixão.

Uma simples gripe e lá estava o Zé mobilizando a madrinha,  o padre para  lhe fazer  o que seria a extrema unção. Também mandava avisar na voz que sua hora tinha chegado.   Sonhava com muita gente no velório. 

Tornou-se habitual essa folia no povoado sempre que Zé da Morte ficava doente , tanto que já duvidando da sua sanidade,  poucos ainda eram os que  naqueles momentos atendiam ao chamado dele ou acreditava que ele estava mesmo morrendo. 

Muitas gripes, dores de cabeça, topadas, quedas e nada da morte vir ao encontro do Zé

No povoado havia um riacho onde final da tarde a meninada e também os adultos  iam tomar banho. Os moradores evitavam ficar até o começo da noite porque havia a história do aparecimento de uma  sucuri sempre naquele horário. A serpente já tinha arrastado com ela cachoro, bode e até um bezerro. A cobra era tão grande que acabou virando lenda.

 Zé   era o  único  que não tinha medo. Esperava todo mundo ir embora para tomar  seu banho no riacho.  Era um habito que trazia consigo há muitos anos.  Logo estava de volta a sua casa;  vestia o traje habitual e ia para as  novenas.  Todo dia tinha uma.

Numa quinta-feira  de  noite clara  Zé tinha  sido convidado para rezar num velório no final do povoado, mas,  naquele dia ele não apareceu. 

O sol nasceu,  e nada do Zé.  Logo a noticia do desaparecimento dele  se espalhou  causando o maior rebuliço. Tinha sido visto a última vez indo  para a Beira do Riacho, mas no local nenhum vestígio dele foi encontrado. O homem havia sumido de verdade.

- Morreu afogado-  dizia um

-A Sucuri engoliu ele, teorizava outro.

-A morte  veio  pessoalmente buscá-lo, tacou um gaiato.

Dez  anos se passaram e até hoje ninguém sabe o que realmente aconteceu com o Zé da Morte, que  acabou  não tendo o tão planejado enterro. Nada de  flores,   banda de música  ou gente chorando.

De vez em quando no principal  boteco do lugar alguém esbaforido  chega jurando ter visto o Zé subindo vagarosamente,  todo de preto,  a ladeira do cemitério.















Mãe


Mãe, magia.


Mãe, alegria.


Mãe, energia.


Mãe alegre, mãe triste.


Mãe feliz que alimenta, cuida e lambe sua cria


Mãe, presente, mãe distante, mãe ausente


Mãe, rica, mãe pobre,


Mãe puro amor, amor puro e de muito vigor


Mãe, mãe, saudades...

Muitas saudades mamãe.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Crônica : DE CASAMENTOS E ETECETERAS

Recebo e , publico  a crônica do aniversariante do  dia   o professor doutor, do Curso de Comunicação Social da UFMA, Marcos Fábio Belo Matos...Boa leitura
Marcos Fábio

 Hoje vi a princesa que até um dia atrás era plebeia. A agora princesa se casou com um príncipe louro dos olhos claros. Igualzinho minhas irmãs liam pra mim nas historias dos livros da minha infância, que depois eu passei a ler sozinho. A princesa branca casando numa linda cerimônia, com rainha  e um monte de súditos.
Nada faz sonhar mais que um conto de fadas. Eles povoam nosso imaginário desde que o mundo é mundo. As narrativas míticas dão sentido de projeção à vida e possibilitam, ao menos no terreno da imaginação, ser alguém diferente do que se é no rés-do-chão.
O príncipe e a princesa são de carne e osso. Moram num palácio real, vivem num país que existe mesmo. Mas nem por isso deixamos de achar que eles, no fundo no fundo, não existem de verdade. Eles são a continuidade dos casais que lemos na infância. Até os cavalos brancos estavam lá.
A princesa que nasceu plebeia não precisou beijar um sapo para que ele se transformasse num príncipe. Nem ser posta num caixão de cristal para receber dele um beijo molhado de lágrimas e desespero. Nem provar um sapatinho deixado numa escadaria de baile. Ela só precisou ir para a universidade, insinuar-se um pouco, estar por perto. E o resto a mágica dos corações jovens tratou de efetivar.
O casal agora real encarna os nossos desejos irrealizáveis na nossa vidinha mais ou menos. Por isso, ver o casamento pela televisão ou pela internet acaba sendo um enternecimento. É como se, ali naquele momento, todos nós, em uníssono, disséssemos também “Yes, I do!”. Ou expirássemos um inaudível “I am so happy!” ao subir na carruagem sustentada por um portentoso William.
Depois da cerimônia, voltamos à nossa vida real! E o casal à dele.

A CIDADE INVISÍVEL

ElsonMAraujo O desafio veio do amigo João Batista, ex-deputado, com quem estreitei amizade nos últimos doze meses e com quem costumo convers...