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sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Quando as raízes são fortes, não importa o tamanho da poda: a vida volta a brotar

 

A árvore sentada

ElsonMAraujo 

 

Na BR-010, no trecho urbano de Imperatriz, entre o Riacho Cacau e a área do 50º BIS, ainda é possível encontrar algumas espécies da flora amazônica e do cerrado. Entre elas, destacam-se os ipês, mangueiras, cajueiros e faveiras. Algumas dessas árvores foram plantadas nas décadas de 1990 e 2000, mas, com um olhar mais atento, ainda se encontram exemplares remanescentes da década de 1960, quando o engenheiro Bernardo Sayão comandou a construção da rodovia que transformou, para sempre, a história de Imperatriz.

Transformei em hábito, sempre que percorro esse trecho da BR-010, tentar identificar as árvores mais antigas. Imagino-as e admiro-as como verdadeiros totens de nossa ancestralidade. Talvez não houvesse celulose suficiente para todos os acontecimentos guardados no DNA da bruta seiva que corre em cada uma delas.

Não é difícil identificar esses monumentos ao longo da rodovia. As mais resistentes ao tempo permanecem entre a Rodoviária Velha e o 50º BIS.

Nas idas e vindas pela BR, muitas vezes fui tentado a parar para fotografar, especialmente nos meses de julho, agosto e setembro, quando os ipês florescem neste canto do país, onde se entrelaçam os biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga. Tenho muitos registros. Um dos mais preciosos é o de uma antiga faveira, que chamava atenção não só por sua imponência e a enorme copa que oferecia sua generosa sombra nos dias de sol ardente, mas também por uma característica singular: parecia estar sentada. Além disso, resistiu bravamente a inúmeras intempéries que quase a arrancaram daquele solo.

Uso o tempo passado para me referir à famosa árvore sentada da BR-010, imortalizada em uma tela do jornalista, escritor e artista plástico João Marcos, exposta no Centro Cultural Tatajuba, porque ela, de fato, virou memória. Recentemente, num dia de sol forte, passei pelo local apenas para revê-la, mas ela já não estava mais lá. Pensei, de início, que tivesse sido retirada pelas mãos humanas, mas logo descobri que, em um desses dias de fortes rajadas de vento, seu tronco já cansado não resistiu. De sentada, a árvore tombou. Ficaram apenas as raízes.


Não é figura de linguagem, nem licença poética. Digo que chorei, e não é metáfora. Foi uma tristeza sincera. Os dias passaram. E nesta semana, precisamente na quarta-feira, 11 de setembro, algo me chamou a atenção ao passar novamente pelo local: das raízes que permaneceram firmes, brotavam novos fios de um verde intenso, quase doloroso de tão vibrante. Um sinal claro de que a vida ali está se renovando. Uma bela lição: quando as raízes são fortes, não importa o tamanho da poda, a vida sempre volta a brotar.

Penso que essa árvore é uma metáfora viva da própria cidade de Imperatriz. Assim como ela, a cidade enfrentou ventos contrários ao longo de sua história. As tempestades das crises econômicas, as podas de períodos de descaso e até a força devastadora das chuvas fortes. Mas, como as raízes daquela faveira, as de Imperatriz também são profundas, fincadas no solo da resistência e da coragem de seu povo. E, como ela, a cidade insiste em renascer, mais forte, a cada golpe do destino.

Vejo também, na resiliência da árvore, um reflexo da vida de cada um de nós, que, muitas vezes, somos obrigados a enfrentar perdas, quedas e desilusões. São nesses momentos, quando a poda parece mais severa, que nossas raízes mais internas precisam se firmar e buscar o que de mais forte e verdadeiro temos dentro de nós. A natureza nos ensina que o renascimento não é apenas um ato de sobrevivência, mas de esperança.

Agora, cada vez que passo pela BR-010, olho para o ponto onde a velha faveira um dia se ergueu e sinto que ela ainda está ali, de alguma forma, presente. Suas novas folhas são promessas verdes que murmuram silenciosamente ao vento: sempre haverá um retorno, uma nova vida, uma outra oportunidade para florescer. Porque a vida, mesmo quando parece ter terminado, sempre encontra um jeito de se reinventar, de recomeçar — como se fosse uma semente, germinando outra vez, no terreno fértil de nossas histórias.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

O PESCADOR DE URUBU


ElsonMAraujo

 

Ariano Suassuna dizia que toda cidade do sertão tem um doido, um bêbado e um mentiroso. personagens imortalizadas no conjunto da sua obra. Essas personalidades são facilmente identificadas pelo nome, e por vezes, por suas proezas. Não deixam de ser figuras que guardam um certo tipo de importância, comumente reconhecidas só depois que morrem. Enterros desses populares, nas pequenas cidades, costumam arrastar multidões.  Terminam, de alguma maneira, imortalizados pela oralidade popular.

Quem não tem uma (h) estória de doido, mentiroso e bêbado para contar? Ou mesmo um personagem para lembrar nas rodadas de conversa?

Na cidade, basta uma pequena provocação com representantes dos troncos familiares mais antigos para o surgimento de um desfile dessas figuraças que marcaram época, num tempo de uma imperatriz mais provinciana. O saudoso cantor e compositor Selim Galhães, que morreu em 2021, tinha paixão por essas personalidades. Via neles poesia e arte.   Nas nossas conversas sobre as coisas da cidade lembrava sempre do Mujuba. Um “sábio”, segundo ele, respeitado por todos, que morava num barreiro, ali próximo do prédio do INSS, e com quem, na meninice gostava de “trocar ideias”

Mujuba está imortalizado numa composição de um outro artista maranhense/imperatrizense/carolinense Erasmo Dibbel. Em “Minha cidade” o cantor , além de Mujuba, lembra o Elias do Boi, outro personagem da cidade nesse linha de importância.

 

{...Minha cidade engatinha

E mujuba de palavras sábias sofre

Vêde elias perdido num boi tão iô-iô...}

Ontem , ao conversar com o jornalista Colo Filho, um apaixonado pelas coisas da cidade, ele lembrava de outras dessas figuraças do cotidiano da Imperatriz de antigamente. Se ele lembrou, é porque nunca morreram. O índio doido, que surgiu do nada e assustava a todos com um pedaço de pau, na mão; mas que nunca ofendeu ninguém, o Pedro Mentira, o Guriatã, que já amanhecia o dia embriagado, e o cego, que enlouquecia quando a molecada chegava perto dele e imitava o mugido de um boi. Na prosa, acabei por lembrar do Josias, que vestido de mulher, subia e descia a Coronel Manoel Bandeira falando sozinho. Carregava sempre um bastão com o qual espantava a meninada, entre as quais eu, que o atazanava.  

Quem pensa que o Suassuna deixou de ter razão, se engana. Em Imperatriz, que já tem ares de metrópole a evolução deixou mais difícil de identificar essas celebridades. Mas elas continuam presente nas pequenas cidades. Nesta semana encontrei a história de um “pescador de urubu”. Acredito que ainda tenho um restinho de espaço na página para contar a história.

Num povoado, no interior de uma cidade sul maranhense, uma esposa desses bêbados de todos os dias, cansada da rotina, passou a procurar uma fórmula para obrigar o companheiro a abandonar a maldita. Foi aí, que ouviu de uma velha índia que o fel do urubu, capturado vivo,  misturado à cachaça resolveria o problema. A mulher resolveu apostar tudo nessa possibilidade. O problema era pegar a ave para tirar o bendito fel.

Como se sabe, o fel é como popularmente é conhecida a bile, fluido produzido pelo fígado. Consta que amarga para diabo, mas é essencial para a digestão de gordura, no órgão de origem.

A mulher não conseguia se enxergar capturando o urubu. Foi aí que teve a ideia de contratar alguém para a tarefa. A escolha recaiu em outro frequentador do mesmo boteco do marido, que já não batia bem da cabeça, mas que ainda seguia alguns comandos.  Ela prometeu uma camisa nova se ele lhe trouxesse um urubu. Tarefa aceita.

O tarefeiro passou a fazer tocaia no abatedouro da moita do povoado, palco dos urubus da cidade. Tentou uma, duas, três vezes, apanhar convencionalmente  o bicho, mas não obteve êxito. Foi aí, que num momento de iluminação teve a brilhante ideia de utilizar um anzol para pegar a arisca ave. Correu até o quintal de um pescador do lugar e furtou a peça inteira de um anzol. Depois, passou num açougue, onde pegou uns pedaços de sebo para usar como isca e correu de volta ao abatedouro.

A captura do bicho, que não foi fácil, só foi feita na quinta tentativa. Ao sentir a fisgada o bicho voo e lá se vai o tarefeiro a fazer força para trazê-lo para o chão. Chegou a correr, à vista e risos de todos, quase uns 500 metros até o urubu cansar e se entregar. Missão cumprida. Entregou a encomenda e foi recompensado com a prometida camisa.

O segredo de tudo era ninguém saber o que seria feito com ave. A mulher, naquela ocasião, não disse nada para ninguém. Houve até quem pensasse que ela comeria o animal. Manteve segredo, até o fim. O urubu foi sacrificado e dele extraído o fel, ardilosamente colocado numa meiota de cachaça maranhense que o bêbado mais famoso do povoado havia deixado do lado da rede, onde dormia.

Um sobrinho do bebum, que muito mais tarde soube da tentativa de livramento do tio  do vício da pinga, me contou que a “mandiga” não deu muito certo, mas algo diferente começou a acontecer, desde então: ele não deixou de beber, mas  toda vez que  tomava a primeira dose da manhã  era  certeza de passar o dia inteiro vomitando.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Riqueza literária do Maranhão: A importância das academias de letras


 

ElsonMAraujo


Tenho dito que uma importante tarefa, ou responsabilidade das academias de letras espalhadas pelo país, é a de, naturalmente, resgatar e manter viva a história e os feitos literários de inúmeras personalidades que, se não a principal atividade, tinham a literatura como ofício, e que deixaram para a posteridade seus romances, poesias, contos, ensaios, novelas, músicas, etc.  Uns com fama nacional e internacional, outros nem tanto, mas que a exemplo dos famosos, também deixaram seus registros literários.

 O Maranhão é rico da presença de vultos literários que, cobertos pelo manto do tempo, caíram no esquecimento, que para mim é uma espécie de “segunda morte”; mas que graça às academias de letras, foram restaurados e hoje são estudados, declamados, e a atual geração pode, enfim, conhecê-los. Foram imortalizados!  Um exemplo clássico é Maria Firmina dos Reis. Maranhense da cidade de Guimarães, é considerada a primeira romancista negra do Brasil.

 Aqui perto, na cidade de João Lisboa, Firmina dos Reis dar nome a uma das cadeiras do conjunto de patronos da academia de letras, de lá. Cadeira ocupada pela socióloga, professora, escritora, pesquisadora Maria Natividade da Silva Rodrigues, hoje uma das maiores pesquisadoras da obra da maranhense, no Brasil.



 Quando uma academia de letras é fundada, cada uma das cadeiras recebe o nome de um patrono, que é escolhido, na maioria das vezes, pelo acadêmico ou acadêmica, antes da fundação. O critério, é a afeição pela vida e obra daquela personalidade que de alguma forma tenha marcado o mundo das letras e cultura brasileiras.   A Academia Imperatrizense de Letras (AIL), atualmente presidida pelo poeta Raimundo Trajano Neto, segue esse padrão. São 40 cadeiras, cada uma coroada com o nome de algum expoente da nossa literatura. Assim, não há como o ocupante do assento não mergulhar nas nuances da vida e obra daquele homenageado literato, que passaria eternamente para a “segunda morte”, se não fosse por aquela iniciativa.

 Às vezes ocorre de um acadêmico despertar para a obra do patrono de uma outra cadeira. Isso aí, aconteceu com o poeta Ribamar Silva. Ele ocupa a Cadeira 20, fundada pelo saudoso jornalista e historiador Adalberto Franklim e que tem como patrono o escritor maranhense, nascido em São Luís, João Dunshee de Abranches Moura. O são-luisense foi membro destacado da Academia Maranhense de Letras, e segundo o jornalista, escritor, pesquisador, e acadêmico, Edmilson Sanches, um dos maiores intelectuais já nascidos no Maranhão. Com tudo isso, a queda literária de Ribamar Silva é pelo escritor Manoel de Souza Lima.  Há anos ele pesquisa e escreve sobre a vida dele, patrono da Cadeira 01 da AIL, ocupada hoje pelo jornalista e advogado Juscelino Pereira.


 Além de resgatar toda bibliografia do autor, Ribamar Silva conseguiu acabar com uma dúvida acadêmica sobre o local de nascimento de Souza Lima, corrido em Imperatriz no final do século XIX.  Sendo, portanto, ele, o primeiro filho da cidade a se tornar escritor. As pesquisas apontaram até para a descoberta de um neto famoso do escritor imperatrizense, o festejado ator de TV e teatro, e também diretor de núcleo da Rede Globo, Wolf Maia.

 Em 2020 fui eleito membro da Academia Imperatrizense de Letras, na vacância da Cadeira 02, então ocupada pelo sertanejo advogado, jornalista, político e historiador Sálvio Dino, levado para eternidade pela pandemia do coronavirus. Dino era membro fundador do sodalício imperatrizense  e escolheu como patrono do assento, João Parsondas de Carvalho, nome de ruas e escolas, em  diversas cidades do Maranhão, e até do Estado do Pará.

Sálvio Dino alimentava uma intensa e produtiva atividade literária, e como não poderia deixar de ser, pesquisou, com o olhar de águia, a vida e obra de Parsondas de Carvalho, de cujos feitos ouvia falar desde que se entendeu por gente, lá pelas bandas de Grajaú, onde viveu na tenra juventude.

Da curiosidade e intelectualidade de Sálvio Dino, surgiram vários textos, palestras e debates sobre a trajetória do escritor, jornalista, geografo e mais um “montão de coisas, Parsondas de Carvalho, que morou em Imperatriz, ali na XV de Novembro. 

 Parsondas morreu na vizinha Montes Altos, em 1926, e ali também foi sepultado. Ele deixou um gigantesco legado em várias áreas do saber. Legado esse, alvo das pesquisas do saudoso Sálvio Dino.

Reputo o livro Parsondas de Carvalho, um novo olhar sobre o sertão, como o principal documento produzido pelo fundador da Cadeira 02 da AIL, sobre o patrono. Na obra, uma espécie de livro reportagem, Salvio faz uma releitura de Guerra do Leda, um livro/denúncia onde o autor relata, como contemporâneo dos acontecimentos, uma das maiores “carnificinas” já registradas no alto sertão maranhense sob o patrocínio do Governo do Maranhão.  Na época, o governador era João Gualberto Torreão da Costa, mas quem dava mesmo as cartas, ou seja, mandava, era o então poderoso chefe político e senador Benedito Pereira Leite, que mais tarde, entre primeiro de Março de 1906 e 25 de maio de 1908, veio a ser de fato, e de direito governador do Maranhão.

 Em Guerra do Leda, como escreveu no prefácio de Parsondas de Carvalho, um um novo olhar sobre o sertão, o saudoso escritor e desembargador Milson Coutinho, Parsondas relata a miséria moral, política, policial e denuncia os assassinatos do Estado Policial de Benedito Leite, que tiveram como palco cidades como Grajaú, Carolina, Imperatriz, Riachão e Balsas.

 A Guerra do Leda, texto já quase pronto, é o tema da coluna da próxima semana.

 


domingo, 20 de março de 2022

Em defesa das bruxas

 


 Nossa crônica deste sábado tem relação com a da semana passada, quando fizemos uma abordagem sobre o uso dos nossos cinco sentidos conhecidos- Visão, audição, paladar, olfato e tato- É que há quem diga que existiria um sexto sentido, e que este seria o verdadeiro segredo do poder dos bruxos e bruxas que estão espalhados pelos cantos do mundo.  

E elas, e também eles, existiram, ou ainda existem?  

Existem sim!

Embora haja alguns raros bruxos, a dominância é das bruxas e bruxinhas. Elas estão bem pertinho de nós, e nem as percebemos. Conheço vários desses seres, e ao contrário do que se imagina, não pertencem ao mundo das trevas. São, na verdade, cheios de luz e só espalham o bem. O problema é que ao longo da (e) história espalharam várias fake News, e os queridos bruxos e bruxas tiveram a imagem arranhada.

A campanha difamatória contra as bruxas criou no inconsciente coletivo uma falácia: elas pertenceriam ao lado clandestino da força e surgiram só para fazer maldades.

No início desta semana, ao conversar com uma bruxinha, a quem devoto respeito e admiração, surgiu a ideia de uma investigação para apurar quem iniciou essa campanha de calunia, injúria e difamação contra as bruxas.

Se vivos, poderíamos enquadrar de início os irmãos Grimm. Por motivos que ainda não consegui identificar, foram eles, nos idos de 1817, que construíram, ou melhor, compilaram um tradicional conto de fadas da oralidade alemã da época, e publicaram como Branca de Neve.

No conto dos Grimm aparece a rainha Grinhilde que, travestida de bruxa, com ciúme e inveja da bela Branca de Neve tenta acabar com ela.  Com todo respeito aos confrades alemães, mas Grinhilde, numa interpretação livre, não era uma bruxa, mas se fez passar por uma. Falseou a verdade, fingindo ser o que não era, e conseguiu enganar Branca de Neve induzindo-a a comer uma maça envenenada com o dolo, ou seja, a intenção de matá-la

O genial Walt Disney tratou de queimar mais ainda o filme das bruxas ao levar para os cinemas a animação Branca de Neve e os Sete Anões, em janeiro de 1937. No filme, a Rainha má, a falsa bruxa, parece ainda mais malvada.  Disney, assim como irmãos Grimm, também leva a culpa pela imagem ruim das bruxas.

Um pouco antes de Branca de Neve os Grimn, já tinham se apropriado de uma outra fábula, o príncipe e o sapo. Nesse conto um príncipe é transformado em um sapo muito feio por uma suposta bruxa má. Li várias vezes o conto e não encontrei provas de que a tal bruxa de fato era uma bruxa. A magia bem poderia ter sido feita por um dos demônios que vagam pela Terra, mas quem até hoje leva a culpa é a suposta bruxa.

O nosso Monteiro Lobato também tem um pouco de culpa pela má fama das bruxas. No livro O Saci, de 1921, ele começou a popularizar a Cuca, “uma horrenda bruxa” que vivia numa caverna na floresta e dormia uma noite a cada sete anos.  A Cuca ficou famosa na série de TV inspirada da obra de Lobato, o Sítio do Picapau Amarelo.

Ocorre que ao analisar o texto do pai da Narizinho, Pedrinho, da Boneca Emília, Tia Anastácia e dona Benta, chega-se à seguinte conclusão: as ações da Cuca nunca foram de uma verdadeira bruxa, sendo suas atitudes mais próximas da de um demônio.

Tadinhas das bruxas!  Não se insurgiram contra essa campanha histórica de difamação, e hoje padecem por conta disso.

A campanha difamatória contra as Bruxas não para por aí. No universo dos quadrinhos surgiram a Madame Min, a Maga Patológica, aquela que a todo custo tenta roubar a moeda da sorte do avarento Tio Patinhas. E ainda têm as estilosas, Feiticeira Escarlate, Circe, famosa por ser a inimiga da mulher maravilha, Nimue, Zatanna, Baba Yaga, Madame Xanadu e Hecate, considerada a deusa das bruxas.  Personagens que, na essência, são boazinhas, mas que foram satanizadas pelas mentiras e meias verdades espalhadas pelos quadrinhos e pelo cinema.  

Escrever carrega algo de sobrenatural. A ideia inicial do tema de hoje era falar sobre o enigmático, poderoso, e suposto sexto sentido, mas acabei sendo desviado (será se foi algum tipo de magia?) para esta defesa das bruxas.

Na dúvida, se esse desvio foi obra de alguma magia, hoje mesmo vou procurar a bruxinha com quem conversei no começo da semana. Quero saber se ela tem alguma coisa com isso. Será?

Bem, como ela não se esconde, e não tem medo de ser queimada na fogueira pelo exercício de seus múltiplos poderes, vou aproveitar e revelar a identidade dela. É melhor assim!

Minha amiga é a prova viva de que as bruxas não são malvadas, e que tudo o que foi dito até hoje contra elas é fake News, intriga da oposição.

A bruxinha de quem eu falo chama-se Drija. Tem sangue medieval europeu, e mora já um tempão em Imperatriz. Suas “poções mágicas” já ajudaram a salvar milhares de vidas. É elegante. Tem um riso e uma presença muito fortes. Quem chega perto dela, logo se encanta. Mas tem algo que quando ela manipula a torna gigante, tipo do tamanho do mundo. A Bruxa Drija seleciona as letras, põe num caldeirão de sensibilidade, e deixa elas ali, numa espécie de “banho maria”, enquanto ao piano entoa canções mágicas. Não demora muito a criatura surge diante da criadora:  uma pura e límpida poesia.

A bruxa Drija tem uma identidade secreta, que na verdade não é mais secreta pois vou revelar agora.

Gratidão Adriana Moulin Alencar Piccoli ! Foi sua magia, seu encanto que inspirou a crônica deste sábado. A do sexto sentido vai ficar para a semana que vem.

 

 

 

 

domingo, 17 de outubro de 2021

O BOM HUMOR É PRECISO


De todas as estratégias que conheço para atrair bons fluídos, bons negócios, e até boas companhias, procurar manter o bom humor é a mais infalível de todas. Falo por experiência que é uma arma superpoderosa para quem deseja manter distante a ingrisia e todo tipo de energia negativa, que vez por outra teimam chegar próxima da gente. É uma arma tão poderosa que até sendo um bom humor meio falsificado, funciona.
O bom humor é tão poderoso que antes da existência dos fortes medicamentos para combater males como a depressão, a literatura revela que os médicos aconselhavam a pacientes que deitassem, olhassem para cima procurasse motivos para sorrir. Talvez tenha surgido aí aquela história de que “rir ainda é o melhor remédio”
Se o paciente ficava curado, eu não sei dizer. Tudo que sei é que é visível a sensação de bem-estar que o bom humor provoca naqueles que o cultivam.
Tem gente que reclama que as rosas têm espinhos; e se tiram os espinhos, também reclama porque os espinhos não têm rosas. Essa frase, da qual desconheço a autoria, revela o perfil de grande parte das pessoas que ao deixar de cultivar o bom humor espanta, afasta, cria antipatia. Ninguém quer ficar perto de quem só reclama da vida e de todos, o tempo todo.
Conheço gente em Imperatriz que ganha, no bom sentido, os outros só com o bom humor e com a aura positiva que cria vai tocando a vida. Uma dessas pessoas é o Luís Paraíba, do Brasão. Quem, em Imperatriz, já não ouviu o famoso bordão “Figuraaaa maaaximaaaa” seguida de uma gargalhada extremamente original?
Paraíba chegou a Imperatriz anos atrás sem grandes, ou quase nenhuma posse e se tornou um próspero comerciante. Mas não é agora que quero falar dele não, é de outro Luís, o Luís Paraense.
Luis Aires Lima, o Luís Paraense, natural de Marabá (PA) é viúvo e não esconde de ninguém o par de chifres que levou da finada. Ao invés de ficar chorando nos cantos pelo chifre e pela morte da mulher, encarou tudo com bom humor. Abriu, tempos atrás, um bar cujo principal ingrediente é a alegria e o bom humor. Impossível sair de lá sem umas boas risadas. -“Fui corno 18 anos”- diz ele com uma boa gargalhada.
O Paraense fica na Rua da Lua, na Vila Fiquene, e é frequentado praticamente só por homens. Antes dessa carestia danada, sempre no final de semana, o Luís comprava cerca de 30 quilos de carne, e distribuía gratuitamente, só para deixar feliz a freguesia.
Confusão? Ele me disse uma vez que era muito difícil de acontecer, mas já aconteceu. E tal qual a história do chifre ele ensina que o melhor remédio, a melhor arma é levar tudo no bom humor para desarmar os exaltados. Para potencializa a estratégia mandou fazer um facão (inofensivo) de cerca de dois metros e sempre que alguém tenta brigar ele costuma exibir a arma.
É só mostrar o facão gigante que tudo termina em risada com os eventuais brigões fazendo as pazes ali mesmo.
Luis Aires de Lima, o paraense é a personificação do bom humor

Esperança não nasce em árvores

ESPERANÇA  Então, nada aconteceu. Esperança não nasce em árvores Ela nasce no mais recôndito cantinho do coração ENTRE/MENTES  Entre mentes ...