quinta-feira, 18 de abril de 2013

Encontro das dores



Encontro de dores.
Hematomas na alma.
Silêncio no coração.
Perdas,
Lágrimas,
nascer,
viver
morrer.
Missão cumprida!
Renascer é preciso.
A vida segue viagem.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Como não estragar o dia


Baseado em fatos reais.

Acordava sempre bem cedinho. Abria portas e janelas para  deixar entrar o saudável ar fresco da manhã. Dava um beijo na mulher ainda sonolenta e  corria para a “Padaria do Veiga” comprar o leite, e o pão quentinho.  Era assim que Pedro Flamenguista fazia todos os dias. Quando  tinha tempo , antes de  se dirigir ao trabalho, ainda dava um pulinho no açougue do João, torcedor fanático do Vasco da Gama,  visita que fazia quase  sempre que o time do amigo perdia.

Naquela manhã quebrou um pouco a rotina. Antes de ir comprar o pão ligou a TV. Parou num desses programas que explora as desgraças alheias. Um homem tinha sido morto com 20 facadas durante uma bebedeira num bairro da periferia. Ficou chocado, conhecia o cara,  em sua opinião, gente boa.

Lembrou-se do pão quentinho que precisava comprar, consultou o relógio, montou na  velha moto e saiu rapidamente.

Padaria lotada, a sacola de pão na mão,  já na  fila do caixa achou de comentar o que vira na TV. Foi o bastante para que um dos interlocutores lhe falasse  de um outro assassinato ocorrido um dia antes no seu bairro.  Saiu dali um tanto triste e foi ao Açougue do amigo Vascaíno. Lá ao mencionar o que ouviu na padaria foi cortado no meio da conversa por uma senhora, já de idade, que disse  que a filha de uma amiga, da amiga de sua sobrinha foi estuprada. “Coitadinha, tem só 12 anos” relatou a senhora.

Pedro Flamenguista que chegou na padaria com um " assassinato” visto na TV,  saiu dali com um outro,  e mais a história o  estupro da menina que escutou no açougue.  Ficou arrasado.

Naquela manhã o café em família não teve a mesma animação de  antes.  Pedro não tirava da cabeça o caso do cara morto a facadas, dos detalhes do assalto seguido de morte que o homem da padaria havia lhe contado e do caso do estupro da menor que soube no açougue. Tinha uma filha da mesma idade da vítima,  e aquela história   lhe deixou revoltado.

-Se fosse com uma filha minha ia ao inferno atrás desse filho da puta-  pensou, ele.

No trabalho,  o humor de Pedro não foi diferente do  café da manhã em  família.  Estava visivelmente perturbado; muito mais depois que caiu na besteira de comentar com os colegas todos os casos catalogados pela manhã.  Naquele instante ficou sabendo de um acidente de carro que matou uma  família inteira numa das estradas da região e de quebra, da história de um operário de uma empresa concorrente que morreu eletrocutado.

Fim de mais uma jornada de trabalho. Estava pensativo, macambúzio. Dois assassinatos, um estupro, um acidente de carro com a morte de uma família inteira,  e ainda o caso do cara que morreu eletrocutado. Era muito para um dia só.

 A 500 metros de casa por pouco não virava mais um caso a ser comentado na padaria. Uma caminhonete, dessas de rico, avançou a preferencial e quase lhe atropela.  O veículo se arrebentou num poste e o condutor, com fratura exposta no braço direito e sagrando muito na cabeça  foi levado pelo SAMU para o Socorrão.

-Amanhã eu vejo o resto da história no noticiário-  pensou Pedro.

Diferente dos outros dias chegou em casa, à noitinha,  e não disse uma palavra, o que deixou surpresa   a esposa que estava doida para ele lembrar do aniversario de 15 anos de casados.

Trancou-se no quarto. Disse que ia descansar o juízo por alguns instantes. Dormiu e acabou acometido de um pesadelo. Um botijão de gás explodia, a casa pegava fogo e todos da sua família morriam. Acordou mais perturbado ainda.

Passou o resto das horas calado. Não assistiu o jornal nacional,  e muito menos a novela  Império, aquela  do comendador João Alfredo, que tem um  tórrido caso de amor com  uma ninfa com idade para ser sua neta.

Perceber que a mulher “tinha feito salão”  e estava mais bonita naquele dia passou  anos luz da sua percepção. Calado estava, calado permaneceu.

Na hora da dormida oficial não houve comemoração. O vinho que a mulher comprou, as velas aromatizantes,  a lingerie nova,  e toda a sensualidade pretendida para aquela noite ficariam para o outro aniversario de casamento, ou outra data especial.

Foi a pior noite da vida de Pedro. Voltou a ter pesadelos. Acordou e não dormiu mais.

O dia começava a amanhecer, aproximava-se a hora de ir à Padaria do Veiga comprar o pão. Amanheceu também com uma vontade de comer uma talhada de cuscuz. Estava decidido: ia também ao mercado.

 Abriu portas, janelas, olhou para TV. Sentiu-se tentado a saber se o cara do acidente tinha ou não morrido.

Ligou o aparelho  enquanto lembrava-se dos acontecimentos  do dia anterior; principalmente do  fracasso de alcova,  e da vergonha que ficou da esposa. Resistiu.

Naquela   manhã preferiu ligar num canal que falava de esporte e saúde.


Na fila do caixa da padaria comentou com um amigo  que tinha visto  bem cedo na TV  a notícia sobre a descoberta de um novo método para ativar o hormônio da felicidade. Saiu da padaria com três receitas de saúde e bem estar. Naquela manhã o café em família foi mais animado.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O show do acasalamento


                                  (Curicacas: foto Internet)
Muita coisa passa despercebida dos nossos, nem sempre argutos sentidos. É assim em qualquer lugar que estejamos. Ás vezes apenas vemos, mas não enxergamos ou sentimos as situações que estão a um palmo do nosso nariz. Basta parar um pouquinho e acionar o que ainda resta dos nossos sentidos ancestrais para se ter a oportunidade de perceber situações inusitadas, camufladas pela correria intensa do dia-a-dia.

Pois bem, a Beira Rio de Imperatriz é o local escolhido por oito em cada dez imperatrizenses para caminhadas , exercícios físicos, ou mesmo para se encontrar com os amigos.

Dia desses, numa manhã quase chuvosa uns poucos privilegiados tiveram o prazer de se deparar com uma cena raríssima: o acasalamento de duas Curicacas (Theristicus caudatus) que já se imaginava extintas.

O silêncio daquela manhã foi quebrado pelo movimento das aves numa “gritaria sem tamanho” . Parecia que as duas criaturinhas de Deus queriam mesmo chamar a atenção. Era um escândalo, só.

De longe um bem-ti-vi observando a cena do alto de uma sumaúma todo encolhido resolveu chegar perto dos dois e alerta-los : “ cuidado...Tem gente olhando! ” Não adiantou nadinha, o namoro despudorado continuou.

Os Pirarucus da lagoa dormiam e não viram nada, mas um solitário tracajá que se deliciava com o espetáculo zangou-se com o fofoqueiro passarinho : “sai fora, bacana ” parece ter dito o bicho voltando-se para seu momento de voyeurismo.

"O escândalo"  continuou com as curicacas comportando-se como se fosse donas do mundo.

Quando os dois voadores perceberam, estavam lá, observando a cena além dos outros bichos: os humanos que, interromperam a caminhada para ficar olhando o espetáculo do acasalamento”

Uma pombinha, “fogo pagou” que parecia doida pra entrar na “festa”, e um grupo de pardais que promovia a maior algazarra, também interromperam o que faziam para ficar olhando “a farra matinal das curicacas”.
                                 Iguana, comum na Beira Rio.
Percebendo que tinha chamado muita atenção, o casal, envergonhado, voou bem alto e fugiu em direção ao Estado do Tocantins, na outra margem do Rio Tocantins.

Do lado de cá, na copa de um pé de ipê, um solitário iguana , que via tudo desde o início, meio tristonho lamentou: “eitaa, mas tava tão bom”

terça-feira, 2 de abril de 2013

"A cura pra tudo"


 Algumas disputas  são muito engraçadas. Não falo das esportivas, mas daquelas que as pessoas passam alguns minutos pelejando para saber quem é  mais doente ou tem o maior número de doentes na família.

Experimente numa rodada de amigos dizer que amanheceu com dor de cabeça ou que a taxa de açúcar no sangue subiu ou ainda que " ganhou uma pressão alta" , pra ver uma ver uma coisa?

" Na semana passada eu estava do mesmo jeito" dirá um. " Fui parar na UPA semana passada" dirá outro ouvinte. " Minha mãe estava no Socorrão, ontem" dirá outro, que não é besta de ficar para trás"

O lado positivo desse tipo de peleja para quem tem paciência de ficar ouvindo é que se aprende uma infinidade de soluções, para diversos tipos de males sem ao menos precisar ir ao médico. É sério! Receitas para pressão alta, controle, e até a cura do diabetes e ás vezes, no pé do ouvido se aprende até soluções para quem está com " os nervos fracos" e tem deixado a patroa na mão.

" Controlo minha pressão comendo todo dia um dente de alho...."

" Tenho um amigo que ficou curado do diabetes tomando, em jejum, todo dia a própria urina..."

" Ei, isso não existe! O bom mesmo é tomar a água da cajuína diariamente na hora que acordar.

" Que viagra que nada, se tu tomar todo dia bem cedo uma dose de São João da Barra com leite condensado tu vai ser homem pra toda vida"

Se mesmo depois de ouvir tudo isso houver uma pequena ponta de duvida, a receita correta mesmo é arrumar um jeito de ir ao médico.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Natureza na Ilha


Nuvens brigam entre si.
Uma explosão no céu. É papai do Céu "raiando".
Ondas se chocam violentamente nas pedras do espigão.
A lagoa reage, exala um cheiro podre no ar.
Natureza em movimento.
Mais um choque entre nuvens 
Papai no Céu volta a " raiar"
O Céu chora copiosamente.
A Natureza chama.
A Natureza ama.
A Natureza clama.
lagrimas de sal saem do mar.
A Natureza clama, 
resiste, 
insiste em amar, 
insiste em se doar.


 

PASSAGEIROS


Agora, estamos aqui. Nos próximos segundos, num piscar de olhos a nossa forma  humana pode fenecer não sabendo nós, até hoje, pra onde  vai  em seguida  o sopro divino que nos fez carne, que nos fez gente,  e que aqui nos  manteve,  ou nos mantém  por um determinado tempo  nesse canto do Universo chamado Terra.  A impressão é de uma viagem sem fim.

Pelo menos uma certeza temos: a   passagem  por esse  mundo vialácteo   é muito rápida e por isso precisa ser valorizada, principalmente  por atos de bondade.  Não custa nada plantar o bem, já que não se perde nada com isso; enquanto que  o mal plantado  só  gera   males.

Se plantar o bem é um investimento seguro, porque plantar o mal ?  A lógica é bem simples, e o bom é que somos livres para escolher quais campos cultivar.

Como diria Hobbes, "o homem tem a necessidade congênita de ser bom".