quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A alegria dos vermes ou uma vela pra tu




Vês, de nada adiantou tanto poder, tanta presunção esse tempo todo.

Perdeste a oportunidade que foi  dada a ti  para distribuir e viver  o amor  em todos seus  matizes.

Como diz aquela música:  devia ter amado mais...Ter visto o sol nascer.

Tantos anos sobre a Terra, e nada!

Se essa era tua missão. A de não amar, que missão escrota, essa.

Devia  ter encantado o mundo com tua beleza humana  e feito os filhos da Terra felizes, mas não.

Preferiste seguir a trilha do mal, do escárnio, do desamor.

Uma pena!

Adiantou alguma coisa?  Nada!.

O sangue derramou.

Nem lágrima terá para refrigerar tua alma perdida.

Não adianta mais, nada.

Agora jaz, aí, tua carne podre sendo consumida aos poucos.

Pelo menos, nessa forma, cumpre  uma missão: a de fazer a alegria e a   felicidade dos vermes.

É, com tudo isso, quem sabe alguém, solitariamente, passe aqui hoje  pra acender uma vela pra tu.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

VIDAS


Vida bela
Bela vida
Vida Curta
Curta  a  Vida
Nas  Avenidas  da vida 
esquinas  de desafios
 Nessa vida,  vida curta,
 Curta vida. 

sábado, 20 de outubro de 2012

Tribunal



Trancado  num canto oculto da minha alma encontro-me.

Peço socorro a mim mesmo. Sou minha última esperança.

Acuso-me e,  me defendo quase que ao mesmo tempo. A esse  mesmo tempo sou  advogado , promotor e juiz.

O  tribunal está vazio, sem plateia. É  apenas eu  frente a frente comigo. 
Começa o julgamento. 

Culpado ou inocente?

Minhas porções de advogado, promotor  se digladiam  observados  por meu lado juiz.

Os debates se acirram entre os meus  EUS.

Choro!

Aguardo a sentença.

Culpado ou inocente?

Termina o julgamento.

Meu lado juiz  deu-se  por incompetente,  incapaz de  me condenar e,  também de me absolver.

O julgamento foi suspenso sem data certa para reiniciar.

Mais uma vez estou livre.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

RECIPROCA



Teu  olhar percuciente  desnuda  meu ser , e revela  meu mundo.

Me  empresta, por alguns instantes,  seus olhos.  Assim   poderei,  também, desnuda-la  e conhecer-te melhor. 

O PRINCÍPIO E A LUZ



No principio era a luz

A luz fez-se verbo.

O verbo fez o mundo,   
e o Mundo não parou mais.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

INFORTÚNIO



Como sempre, acordou cedo. Rezou, tomou um banho mais do que gelado, tomou café, deu um beijo na esposa e nos filhos. Foi para o trabalho.

Sorriu muito, vendeu bastante, discutiu com um cliente mal encarado. Encerrou a jornada.  Pegou o carro, dobrou a esquina parou no bar de  costume. 

Sozinho, sorveu três garrafas da cerveja preferida estupidamente gelada. Pensou o dia seguinte: teria de vender mais, ganhar dinheiro o suficiente para a  viagem de final de ano planejada  com a família.
Despediu-se do amigo garçom. 

Animado ainda lhe deixou uma gorjeta. Antes de ir  trocou telefone  e  facebook com uma  estonteante morena que estava na mesa da frente.

Entrou no carro, ligou o som num volume mais alto do que o usual...”Descobri que te amo demaisss”...  cantava o Zeca Pagodinho.

Saiu acelerado. Pensou na morena com quem trocou olhares, e depois o telefone. Ligaria no dia seguinte,  concordou consigo  mentalmente.  Acelerou mais ainda. Não viu o sinal fechado. Bateu, capotou.  

Foi parar na UTI do Hospital geral da cidade.