segunda-feira, 9 de novembro de 2015

AQUELA NOITE...

Foto ilustrativa
Ela o esperava toda languida estrategicamente  exposta  sobre a cama coberta  com pétalas de rosas.  Antes, um tépido banho de espuma  com sais aromáticos, seguido de  um segundo {banho}  à base de óleos  afrodisíacos.

Um espumante daqueles bem caro, e na temperatura  certa,  serviria para deixar mais “ hot” aquela noite.  Gastou quase todo o ordenado do mês com  a composição do ambiente no melhor  e mais caro motel da cidade.

Um telefonema.  Uma  suspeita  reunião  tida de  última hora  findou toda aquela languidez. Horas depois outra chamada. Aquele que fora idealizado para lhe garantir o melhor aniversário de sua vida,  naquele instante jazia  entre as pernas de uma estranha  num  fétido quarto  de  hotel perto do terminal rodoviário...Ele enfartou.  Ela engoliu o choro. 

ORGULHO


Falo.

Conto histórias.

Canto.
Peço bençãos,

peço esmolas.

Louvo.

Sinto, e construo sabores.

Imolo.

Vomito.

Cuspo.

Engulo o orgulho.









sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PEDRA DEMOCRÁTICA


Aquele  que  um dia frequentou os melhores salões do mundo aquece  agora a mesma   pedra fria onde horas antes  pousou inerte aquele andrajoso da esquina atropelado por um maluco numa motocicleta.  Não tiveram tempo nem de lavar a pedra.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

LUXO NO LIXO



No lixo, o luxo se mostra  lixo.
No luxo, o lixo também se faz belo.
No lixo,  ás vezes,  o luxo se recicla e se faz necessário.



domingo, 11 de outubro de 2015

BRINCADEIRA



  
Ente inocente,
alegre ,
valente.
Espada na mão,
monstro no chão.

Choro  presente,
Colo ausente.

Colo presente
Choro ausente.
Ente inocente,

Alegre,
Valente.
Conquista.

Do  alto do colo,
sem grito,
sem choro
contempla  a vida  sorridente e contente,
 feliz.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

DOCE AMARGOR


Adoço com mel o amargor das tuas palavras.
Entrego-te o  favo inteiro para que adoces   o céu da tua boca de onde espero , com avidez, pela chuva do mais doce dos  nectas: o necta do amor.



sábado, 15 de agosto de 2015

AS MÃOS E O ABRAÇO


Pra que falar?...
Um toque basta

Acolho vidas.
Cuido de feridas.
Sinto o pulsar do coração que movimenta o corpo que sustenta a alma, e chora a perda do abraço que poderia ter salvado aquela vida

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

ROSA PÚRPURA

  
O que farei com a rosa púrpura que você me deu, perdeu o viço, secou e depois morreu?

Jogar fora?

Não!

Seria  uma grande desfeita e sinal de desprezo,
uma covardia,  e a ela quero eternizar.

O que farei com a rosa púrpura que você me deu, perdeu o viço, secou e depois morreu?

Já sei !!

Guardá-la-ei  dentro do  meu livro preferido assim, sempre que relê-lo,  relembrarei e exaltarei aquele dia que linda e esfuziante  ela chegou às minhas mãos e encheu de alegria o meu dia.

Também já tenho um plano  para o caso de vir as traças  a faça desaparecer  os restos  da  rosa púrpura que você me deu, perdeu o viço,  secou e depois morreu:
Guardá-la-ei no coração

Assim, ela, a rosa púrpura que você me deu, perdeu o viço, secou e depois morreu, com toda sua essência, será para sempre eternizada .


O MUNDO DOS POETAS



Dizer o mundo,  escrever o mundo, colorir o mundo.
Deixem o mundo  pelo menos por  alguns instantes com os  poetas.
Permitam-lhes  refazer a história.

Certamente nessa reescrita não haveria lugar para  holocaustos,  e outras atrocidades mais.

As guerras seriam só de palavras.
Não simples palavras, mas aquelas bem escolhidas,  bem desenhadas,  agasalhadas no coração do homem   e que fizesse renascer pelo menos a esperança de um mundo melhor.

Deixe o mundo com os poetas

No mínimo teríamos um mundo com almas.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

VIDA E FLOR




Primeiro,  a flor. Depois, o fruto.
Primeiro, o amor. Depois, a vida.
A flor é a vida!

A vida é o amor encarnado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

É preciso chegar...Crônica de uma missão


A viagem foi longa e cansativa. Singrei por rios  e mares. Em alguns momentos, pensando que não conseguiria, pensei  até em desistir da  minha jornada natural..

Graças a Deus desisti de desistir. Precisava prosseguir, chegar logo e cumprir com meu mister.
De longe, já feliz por ter  conseguido chegar, comecei a procurar pelo melhor lugar. Voei,  voei e não encontrei nenhuma árvore;  uma pena.

O jeito foi mesmo pousar numa antena de TV e cumprir logo com  um dos deveres   que a natureza me deu: cantar.  Estava bem animado.

Nesta manhã escolhi minha melhor nota, só não
não tive muita sorte:   só uma  pessoa me ouviu.

Quem sabe amanhã outras me ouçam.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

DO OUTRO MUNDO



Nunca tinha  trabalhado na vida. Nada lhe faltou na infância e,  o fato se repetiu também  na adolescência.

Estudar?  Só mesmo o basicão.  Aprendeu a escrever e  a fazer as quatro operações.  Para ele, daquele jeito,  estava  bom demais.  Era filho único;  o pai era rico e jamais lhe deixaria na mão, dizia sempre ele quando um amigo mais próximo ou  parente o admoestava a estudar e,  a pensar no futuro.

Terêncio, que não se sabia  o porquê ganhara  o apelido de Jejebinha,  gostava mesmo era de dançar, namorar, beber e gastar a dinherama do pai, já  setentão.  

Nas festas gostava de “bulir”  com o que era dos outros. Jovem,  bonito e com muito boi no pasto, não era difícil seduzir as jovens mulheres dos peões das fazendas da região que em dia de folia se juntavam no único clube da  cidade.

Em alguns casos, por mais incrível que possa parecer, os próprios maridos empurravam as mulheres para “o garanhão”  que era uma gabolice só. Com aquele gesto os peões ganhavam o direito de sentar-se á mesa do menino rico e com ele beber e comer sem se preocupar com a despesa.

Sabia-se de um único caso de um desses maridos se insurgir contra os assédios de Jejebinha.  O final não foi feliz.

Ao perceber  Terêncio se jogando para cima da  mulher que tinha ido ao banheiro, o desavisado  peão,  novo no lugar, correu e em ato continuo deu um safanão no rapaz que se estatelou no chão.

- Respeita mulher de homem, cabra safado- vociferou  o valente peão.

Jejebinha nada disse. Levantou-se, olhou para uma escoriação no braço esquerdo em função da queda. Fixou um olhar frio na direção do peão. Meneou  com desdém a cabeça e de costas  se afastou  com o dedo  em riste apontando  para o casal.

Dois dias depois o peão foi encontrado  morto boiando no açude da fazenda onde trabalhava. Falavam que ele tinha levado um choque de um dos poraquês que infestava aquele açude. O caso ficou por isso mesmo.

Se alguém quisesse saber o que de fato tinha ocorrido iria descobrir que sob a mira das armas dos seguranças de Terêncio  o peão foi obrigado a beber três garrafas de cachaça, em seguida levado numa canoa até o meio da lagoa e  lá foi obrigado a pular. Uma semana depois ninguém falava  mais sobre o assunto.

Terêncio continuava com sua boa vida. Já torcia pela morte do pai para , assim, se apossar das terras, gado e tudo mais que o velho  juntara durante toda a vida.

Um dia durante mais uma grande festa na cidade, lá estava Terêncio sentado á mesa com os " sócios " e suas respectivas mulheres. Ainda não sabia com qual delas ia amanhecer o dia.

A mesa estava farta. Arrematou todos os pernis, frango assado e galinha cheia que apareceram.

O forró corria solto, o salão  de festa lotado. No meio do salão surge um casal,  ali nunca visto. O homem era alto, elegante, espadaúdo e com destreza fazia movimentos rápidos e sensuais com a parceira, uma  “puta loira” poucos centímetros menor do que ele.

Nunca tinha visto uma mulher como aquela ali na cidade, avaliou Terêncio. Será se ela sabia quem era ele. Teria alguma chance?  Não custava nada tentar. Ia esperar pelo momento certo para assedia-la.  O momento certo surgiu  quando percebeu que o
parceiro da estonteante mulher tinha se afastado.

Largou a mesa e rapidamente se aproximou da mulher.

Não demorou muito o conquistador estava no fundo do clube no maior amasso com a loira. Nunca tinha beijado tanto na vida. As mãos de ambos se movimentavam habilmente.

Jejebinha   estava prestes a explodir de tanto tensão, quando a estranha disse para ele esperar um pouquinho que precisaria ir ao banheiro. Deu mais um amasso na mulher antes  de deixa-la  sair  e ficou ali esperando.

O inesperado aconteceu. A mulher não voltou. Pela primeira vez desde que passara a frequentar festas  ia amanhecer sem levar ninguém para dormir com ele. Voltou então   ao salão de festas.  Os amigos já tinham  ido embora e os músicos guardavam os instrumentos.  Vasculhou a área para ver se encontrava a mulher,  e nada.

-Puta que pariu! Aquela bandida me deixou na mão- pensou  Jejeba em voz alta.

Terêncio  pagou a conta, montou no cavalo e a caminho da sede da fazenda do pai se lembrou que bebeu muito, mas não comeu nada.  O estômago ruía. Lembrou que um amigo havia falado de uma comidinha caseira feita com capricho num povoado ali perto. 

 Rapidamente chegou  ao local .

O rapaz sentou e enquanto aguardava a chegada do prato, reviu mentalmente os calientes  momentos  vividos com aquela estranha mulher. Ninguém soube informar quem e, de onde era aquela rabuda..

-  Que mulher era aquela.  Ia revolver  toda a região para encontrá- la,    pensou ele.

Terêncio dava a última colherada quando olhou para uma parede ao lado cheia de fotografias. Uma delas fez com que largasse o prato se levantasse para olhar  de mais de perto.

Riu por dentro. O coração jovem bateu mais forte. Não tinha duvida, era ela, mesmo. Não precisaria mais percorrer a região para encontra-la
-  Linda, não é- disse a dona do estabelecimento ante a admiração de Terêncio, extasiado.

Linda? Não, maravilhosa! Quem é?

- Francisca Maria, minha única filha.  Ela e o marido morreram dez anos atrás quando voltavam de uma festa lá  no clube.  Chovia  muito. Um corisco caiu e matou os dois na hora.

Terêncio se engasgou com o copo d'água que sorvia ouvindo aquela mulher. Tudo nele se acelerou, sentiu uma pontada na cabeça e caiu desfalecido.

Quando acordou estava sem fala, a boca torta e sem os movimentos do lado direito do corpo.

Passa atualmente os dias sentado numa cadeira preguiçosa na varanda da fazenda do pai,  ainda vivo,  olhando na direção do nada.  

Ás vezes  Jejebinha  esboça algo parecido com um sorriso. Talvez se lembrando das festas, das mulheres dos peões que costumava seduzir. E, daqueles  momentos , atrás do clube , com aquela loira que lhe levara naquela noite,  á  loucura.

domingo, 25 de janeiro de 2015

SEDUCÃO E MORTE


                                         Foto ilustrativa- site deixa de frecura.

 Era a sedução em pessoa. Não tinha culpa de ter vindo ao mundo com uma beleza extrema, a  ponto de arrebentar o juízo e encher de fantasias a cabeça de qualquer cristão, fosse homem ou mulher. 

Impossível cruzar com aquela criatura terrena e não se deixar seduzir;  fosse pelo olhar,  de um  negro profundo, fosse pelo simples meneio de cabeça  que valorizava ainda mais seu longo, brilhante,  bem cuidado e preto  cabelo. A bela sabia como ninguém usar a seu favor aqueles belos traços forjados pela genética.

Letícia era o belo  encarnado, mas por  trás daquela beleza, e de uma  suposta alegria, havia uma mulher misteriosa e que gostava de matar.

 A beleza de certa forma acabava por funcionar como um disfarce. Ninguém imaginaria aquela linda  criatura como uma assassina  contumaz.

 Naturalmente  bela, já com seus 26 anos Letícia, com todos os atributos que natureza  lhe deu distribuídos em 1,70 metros de altura  não fazia muito esforço para seduzir e eliminar suas vítimas. Todas do sexo masculino. Odiava os homens.

O sofrimento vivido na infância e na adolescência lhe transformara, a seu modo,  numa espécie de vingadora.

 Acompanhava os programas de rádio e TV ; e  lia jornais para identificar casos envolvendo homens que estupravam e espancavam mulheres e que por um ou outro motivo  ficavam impunes. Assim, dessa maneira,  com o passar do tempo, começou a selecionar    suas vítimas.

 Escolhida a vítima,  começava a frequentar os bares, botecos, puteiros, bancas de jogos de azar,  a  que ela  costumava ir. Já tinha feito aquilo inúmeras vezes. Para Letícia, era muito fácil, seduzir e eliminar suas vitimas. Após cada crime era remetida ao tempo de adolescente  quando matou pela primeira vez. Corria ao banheiro mais próximo, vomitava e logo em seguida caia em prantos para em seguida sair como se nada tivesse acontecido.

 Letícia não conheceu a mãe, que morreu no dia em que nasceu. Foi criada pela madrasta Olinda. O pai, um irresponsável, vivia à custa da mulher a quem tinha o hábito de espancar sempre que chegava bêbado, ou seja,  todos os dias. A menina  assistia a tudo, impotente,  chorando e sem poder fazer nada.

 Um dia, quando tinha 15  anos, a garota  tentou defender a mãe e levou a maior pisa da sua imberbe  vida. A coitada foi parar no hospital;  mesmo assim, com medo, a mãe preferiu não denunciar o machão para as autoridades.

 Letícia acabou entrando para a rotina de espancamento do pai. Era  ele se embriagar para chegar em casa arrebentando tudo e batendo em todo mundo.

 Cansou  daquela vida. Ou ela mesma tomava uma providencia ou acabariam, ela  e a mãe mortas. Saiu do hospital com um propósito:  Ia matar a desgraça do pai, e já sabia como.

 Insinuando-se  um pouquinho para o velho, que há muito já vinha olhando pra ela  de maneira diferente, e que por duas vezes tentara  abusar sexualmente  dela,  este não resistiria. Perfeito para seu plano. Só  precisaria naquela segunda-feira, dia de folga do trabalho   da mãe,   tira-la de casa. E assim fez: a convenceu  a visitar uma comadre que não via há meses  e que morava num município vizinho. Só voltaria no dia seguinte.

 Letícia já sabia do horário que o pai  costumava chegar em casa. Ficou  de  calcinha e uma  blusinha transparente de alça deixando os jovens seios quase à  mostra, e se postou na frente da TV  aguardando o “pudim de cachaça”   chegar.  Aos 15  anos  era uma mulher formada de tamanho e corpo e naturalmente sedutora. 

 Foi o pai entrar em casa bater os olhos na filha  deitada languidamente no  sofá para entrar em ação.

 -Hoje, tu não me escapa, diaba dos infernos- E não adianta gritar. Ninguém vai te escutar pra vir te socorrer.  Não dessa vez !  Eu não plantei roça para  outro colher. Essa roça é minha- vociferou o elemento  com a voz pastosa pelo efeito do álcool

 Letícia estava assustada e nervosa. Poderia dá um jeito de fugir e deixar de lado seu plano, mas pensou no sofrimento da mãe;  naquela pisa que a levou  a passar quatro dias no hospital e o que poderia acontecer lá na frente se  não tomasse uma providência.

 Era ali, naquela circunstância, ou nunca.  E já sabia o que ia fazer.

 Diferente das outras vezes, Letícia não correu, não gritou. Procurou esquecer o medo, e o terror que lhe acometia e esperou o próximo passo do safado. Naquele instante localizou mentalmente  onde havia escondido o instrumento que usaria para acabar com aquele, que embora fosse seu pai, considerava um monstro.

 Cambaleando, já sem camisa, com um bafo de matar até o mais resistente dos insetos  e  com uma catinga de quem não tomava banho havia uma semana,  o pai  partiu com voracidade para cima da filha que ficou ali inerte enquanto era beijada, ou melhor babada,  no pescoço.

 Por um instante diante do peso daquele homem sobre seu corpo adolescente deu vontade de vomitar. Se controlou;  engoliu um amargo  inicio de vômito, mas aguentou firme,  faltava muito pouco pra tudo aquilo acabar.

Ao sentir o pai  tocar violentamente na sua vagina, e com a outra mão apertar fortemente seus imberbes seios, Letícia  sentiu uma dor lancinante. Naquele instante  começou a executar a parte final do plano. Fingiu gostar de tudo aquilo.

 - Eu sabia. Tu és tão cachorra quanto tua madrasta. Hoje tu vai experimentar pela primeira vez um homem- gritava o bafo de onça no ouvido da filha.

 - Espera só um pouquinho tigrão vou te mostrar que não sou mais uma garotinha- disse Letícia  demonstrando que queria ficar por cima do pai que, confiante permitiu rapidamente.

 - Preciso, ser rápida senão  estarei perdida- pensou a ninfa.

- Feche os olhos tigrão você não sabe o que  te espera- O pai  obedeceu sem trastejar.

 Ali, naquele momento, enquanto enojada  Letícia beijava o peito cabeludo e fedorento do pai,   pegou o prego de dez centímetros guardado debaixo de uma almofada e, ao mesmo tempo  em que  levemente acariciava a orelha esquerda  do homem, numa rapidez inimaginável  naquela circunstância, enfiou  com um único golpe o instrumento no ouvido direito  dele e  se levantou  rapidamente.

O homem  também se levantou gritando –

- Maldita, desgraçada, vagabunda! O que você fez comigo?

 Cambaleando com mão tentando arrancar o prego o homem tentou partir pra cima de Letícia que correu e se trancou no banheiro.

 Daquele  aposento  quente e abafado ouviu por alguns instantes, gritos, palavrões e objetos caindo até tudo silenciar por completo.  Pôs as mãos nos ouvidos, sentou num canto do banheiro, abraçou os joelhos e  como um filme reviveu os incontáveis momentos em que junto com a mãe foi espancada e humilhada por aquele homem que dizia ser seu pai.  Letícia chorou.  Já passava das três horas da madrugada.

 Abriu cuidadosamente a porta do banheiro e se deparou com aquela criatura caída, já sem vida no meio da sala. Naquele instante  começou a vomitar. Pôs pra fora tudo que tinha comido  naquele dia.

 A atilada menina sabia que não adiantaria inventar nada para escapar daquela situação. Ficou ali  a aguardar o dia amanhecer. Tinha consciência  de que se  livrou de um problema, mas  arranjara outro. Pelo menos tinha deixado a mãe de fora. Ia assumir tudo sozinha. Nenhuma das duas ia mais  apanhar.

Letícia passou  três anos internada, por determinação da Justiça, numa instituição para menores de onde saiu mais do que revoltada. O que o pai  não conseguiu naquela noite sinistra, o diretor da instituição conseguiu. A garota perdeu a virgindade um mês depois da internação da maneira mais perversa possível.

 O diretor quis dividir a responsabilidade  daquele estupro com os outros cinco companheiros que naquele dia,  à noite,  estavam de plantão. Se contasse para alguém seria morta, foi advertida diversas vezes por seus algozes.

Letícia  passou o período de internação planejando a vingança contra cada um de seus violadores.

O  primeiro passo  foi fingir-se,  apesar do intenso sofrimento, indiferente ao que tinha lhe acontecido ali naquele centro de internação para menores infratores e ainda fingir, bom humor, alegria.

 - Todos eles vão me pagar, e caro. Jurou a menina que  já sabia como.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

BRAÇOS DO MUNDO


Braços fortes abraçam o corpo do mundo que geme de dor. 
Nos braços dos fortes o mundo se acalenta , e chora pela soberba dos fracos que lhe impingem a dor.  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

TEMOS ASAS

Quando estou triste ponho as minhas asas e voo na direção do ponto mais alto da Terra. 

De lá, a contemplar a vida, percebo que pra chegar ali tive que voar muito; é quando descubro a importância das minhas asas. 

De repente, mais que de repente, volto a sorrir. Pronto, a tristeza foi embora.

Só se voa quando se percebe que se tem asas.