sábado, 29 de dezembro de 2012

O dia que a cadela falou.



Algo estranho tinha acontecido na  madrugada do décimo terceiro dia de férias do menino Arthur  na casa dos avós naquela pequena cidade do interior onde os moradores  ainda acordavam com o canto do galo.

 A casa era grande e muita antiga. As paredes eram de adobe e pintadas de cal. Tinha ainda  um imenso quintal cheio de árvores  frutíferas. A mais visitada era uma frondosa mangueira que além da sombra presenteava a todos com suculentas mangas rosa- uma delicia, dizia o menino   Arthur.

Diferente da casa dos pais, na casa grande dos avós Arthur  acordava cedo. Ao levantar-se ia direto pro  quintal atazanar os bichos. Corria atrás das galinhas, jogava pedra nos porcos, apertava o pescoço do gato   e puxava no rabo de uma cadela que de tão velha nem dente tinha mais.  Era uma zorra que só terminava quando a avó gritava:

- Arthur, menino!  Larga dos bichos vem escovar os dentes e tomar café.  

Com aquele comando o menino se lembrava da broa de milho e da pamonha,  quentinhos  e deixava os animais em paz.

Era assim todos os dias. Os bichos quando viam o garoto  já se assustavam e começavam a correr.

 A cadela se encolhia ganindo  num canto,  o galo, rei do galinheiro, pulava e ia se esconder   numa ingazeira;  o gato coitado,  a maior vitima do rapazinho, se eriçava todo e fazia cara de mau como quem quisesse dizer:  - De novo, não!

 Talvez  se lembrando do dia em que foi parar dentro de uma gamela de água bem  gelada.

Era assim  toda a manhã, um tormento para os bichinhos  visivelmente incomodados com aquela situação.

Diante daquele burburinho todo um fato esquisito aconteceu: a velha cadela sem dente começou a falar causando espanto nos outros animais.

Na verdade, a cadela era um extraterrestre do Planeta Cinogeo,  localizado numa galáxia muito além da nossa via láctea. Tinha sido enviada vários anos atrás  para o Planeta Terra para investigar o comportamento dos humanos,  e dos bichos também.

Antes de falar, a cadela foi num canto do quintal pouco frequentado, usou as patas para  reabrir um buraco de onde surgiu um objeto  luminoso parecido com uma bola e cheio de botões. Apertou  vários deles e um raio forte foi arremessado contra os bichos do quintal. Tentaram correr mais acabaram sendo alcançados.

Depois daquilo tudo todos eles começaram a falar. Foi só  depois dessa operação  que a cadela extraterrestre  chamou todo mundo  para uma  assembleia.

-Caros  colegas,  resolvi revelar meu segredo porque , assim como vocês, não suporto   mais esse menino Arthur. Ele tem sido  muito mau conosco  e precisa de uma lição. Aprender que não se pode maltratar nenhum ser vivo, nesse ou  em qualquer  outro planeta.

- Isso, mesmo. Dia desse ele me pegou e me jogou pro alto. Só não morri porque tenho sete vidas. Não aguento mais esse cara.  Já chega-  disse o gato.

- E o que vamos fazer?  Perguntou o galo todo empinado.

Todos falavam ao mesmo tempo.

-Silêncio, silêncio!   Já tenho um plano- gritou a cadela.

-E qual é? Perguntou o porco.

-Vamos dar apenas   um susto nele. Já fiz uma analise do comportamento dele. Na essência é um menino bom. Acredito que  depois dessa  não vai mais nos atazanar- Respondeu a cientista do Planeta Cinogeo.

-Quem for a favor do plano se manifeste!

 Todos os bichos  concordaram e se preparam para dar a grande lição no Arthur.

Era uma sexta-feira.

Como sempre o menino Arthur  acordou cedo e foi direto pro quintal praticar seu esporte predileto: atazanar os bichos.

Estranhou quando não viu nenhum deles correr.

Estavam todos enfileirados e olhando firme nos olhos do Arthur.  Mesmo assim ele não se intimidou e foi pra cima do mais frágil deles: o gato.

Naquele instante o gatinho recuou e em vez de correr  começou a latir. Numa sequencia ensaiada,  o galo começou  a miar, o porco a cantar igual ao galo, o pinto a berrar, e cadela a falar igual os humanos e a dizer que não era mais pra ele maltrata-los.

O menino Arthur  diante daquele fato estranho arregalou os olhos, ficou parado como uma pedra por alguns segundos até encontrar coragem para correr e começar chorar e   gritar.

- Mamãe a cachorra falou, o galo miou, o Pinto berrou e o porco cantou.

Depois daquela sexta-feira nunca mais Arthur  maltratou os bichos do quintal da avó nem qualquer outro que encontrou dali pra frente.

Continuava a acordar cedo pra ir ao quintal, só que para alimentar com carinho cada um dos bichos sob o olhar atento e de aprovação  da velha e desdentada cadela.






segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Aquela ceia de Natal.


Não ia ser como no ano passado.

- Não ia mesmo! Pensou ele.

juntara dinheiro o ano inteiro. Tinha feito todas as contas daria para comprar tudo o que tinha direito para aquela que seria ceia de Natal do ano. Estava orgulhoso de si mesmo.

À noite, mesa posta. Música certa para ocasião tocando no som da sala.

Várias fotos tiradas.

- Ah,  como ficaram bonitas. Amanhã vou postar tudo no facebook- Pensou ele.

Era a mais bonita mesa de ceia de Natal do bairro, não tinha dúvida.

Hora da ceia. 

Meia noite. Uma ameaça de chuva pairava no ar. Ao longe o eco de um trovão.

Estava tudo tão bonito, tão belo. Mesa farta e toda decorada. Havia copiado tudo de uma revista americana.

 Esqueceu  um detalhe: juntou tudo, preparou, de fato, a melhor, mais farta e bonita mesa de Natal da rua,  mas não juntou os amigos. Estava só.

Uma lágrima quente correu-lhe o rosto. 

Naquele instante jurou:

No ano que vem vai ser diferente! 






terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Somos divinos, somos deuses



A cada dia me convenço do aspecto divino do homem. Duas citações extraídas da Bíblia, o Livro Sagrado dos Cristãos, à minha interpretação, corroboram para esse convencimento: a que afirma que fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, a que diz que somos o Templo do Espírito; que o Espírito habita em nós.

Se somos a semelhança de Deus , se somos a casa do Espírito, então também somos divinos, somos “deuses menores”.

Somos deuses, sim e como tais também podemos operar prodígios; milagres, como muitos preferem.

Os milagres estão dentro de cada ser humano que, no entanto prefere busca-los externamente. Quanto mais corre atrás “do milagre”, mas distante fica deles. Nós, por essência, somos a soma de vários milagres.

Um tempo desses descobri que não é somente eu quem pensa dessa forma. Conversando com a minha amiga Sílvia Letícia, que  vivia naquela oportunidade uma fase de introspecção, esta dizia que também acreditava na divindade do homem e no fato de os milagres estarem ao nosso alcance. 

Letícia acreditava, assim como eu, que se aprendermos a buscar, se passarmos a perscrutar o nosso interior acabaremos por descobrir uma fonte inesgotável de milagres, milagres que poderão mudar a nossa e a vida de quem nos rodeiam.

Portanto, se você teve a oportunidade de acessar esse cantinho, vá em frente, acredite, busque seus milagres,  seus MILAGRES DIÁRIOS,  eles estão dentro de você.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um toque extraterrestre


                                        (Foto ilustrativa-http://www.google.com.br/imgres?

Carregava um enorme peso emocional naquela noite.

A discussão, horas antes,  com a mulher que amava  tinha sido muito forte.

O jogo de palavras, a expressão corporal de ambos naquele instante de intenso desequilíbrio quase resulta nas vias de fato. 

Felizmente um amigo comum do casal apareceu e acalmou os ânimos. Acabou a confusão, mas ficaram marcas nos dois lados.

Érico,  desnorteado, saiu cantando pneu da porta de casa. Já passavam das 10 horas da noite. Milhões de pensamentos passavam naquele instante pela sua cabeça.

-Pronto! Vou me jogar com carro e tudo dentro do rio. Ela vai ficar com um sentimento de culpa pelo resto da vida- pensou o homem.

Rápido, recuou desse sinistro pensamento. Lembrou que a vida não se resumia a ele, ou à sua mulher. Não tinha filhos, mas havia os pais, os irmãos os amigos, o trabalho. Era muita coisa em jogo para “jogar tudo da ponte”.

- Negativo!  Não é assim que vou resolver essa situação. Vou encontrar  outra saída- pensou Érico sem perceber que o  velocímetro do carro já assinalava 140 quilômetros por horas.

Estava decidido salvar a relação. Ia amanhecer em casa com uma bela cesta de café da manhã e um bouquet de rosas. Não valia a pena continuar naquele clima já que o motivo da briga tinha sido tão banal. Daria sim, para resolver tudo quando o sangue esfriasse.

Era perto da meia noite.  Érico se aproximava  da cidade onde pretendia pernoitar quando, uma luz forte e  incandescente,  vinda do alto  rompeu a escuridão da estrada se concentrando sobre o seu  carro.  Reduziu a velocidade.  

Às cegas e assustado e  agindo por instinto puxou o veiculo para o acostamento.
Abriu bruscamente a porta do carro, levantou as mãos para se proteger daquela luz que parecia naquele instante queimar-lhe  todo o corpo.

Correu sem direção tentando encontrar um lugar seguro.  Acabou caindo e rolando numa encosta.  A luz forte continuava sobre ele. Tentou gritar, pedir socorro, mas a voz não saía. O calor aumentou ainda mais com o aproximar daquela estranha luz. Perdeu os sentidos.

As últimas coisas de que se lembrou  quando acordou no Hospital  foi de ter visto  um  par de olhos  vermelhos e brilhantes  saídos do meio daquela luz e de uma mão  grande e extremamente fria tocando- lhe  a testa.

Sentia naquele momento  uma dor de cabeça como nunca na vida;  percebeu que tinha quebrado a perna direita e estava com escoriações por todo corpo.

Mais do que no resto do corpo uma minúscula e, quase imperceptível marca no centro da testa doía mais do que tudo. Justamente o local onde teria sido tocado pelo dono daqueles olhos vermelhos e brilhantes.

- Você sofreu um grave acidente na BR, meu amor. Graças a Deus, você saiu com vida. Um caminhoneiro viu seu carro tombado na beira da estrada desceu e  encontro você alguns metros adiante, desmaiado- informou a esposa de Érico.

Anos se passaram, Érico conseguiu salvar a relação com a mulher. Reviu conceitos, mudou rumos e decidiu voltar-se mais para as coisas do espírito.

Sobre a luz forte e incandescente não teve coragem de contar para ninguém. Temia ser alvo de chacotas. Também estava confuso. Não sabia se tudo o que viu naquela noite tinha sido realmente verdade ou fruto de sua imaginação depois daquela briga terrível com a esposa.

Até hoje, de vez quando, Érico vai ao espelho e ali constata  um marca, quase imperceptível, na testa.

Local onde teria sido tocado por uma mão grande e fria depois de ter sido perseguido por um facho de luz quente e incandescente.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

E o Templo de fechou



E o templo se fechou !

No vazio, no silêncio, o espírito imortalizado pelas orações e, por tudo de bom que emana de mim e recebo de vós.

Uma luz forte e incandescente aparece e me ajuda a vencer a batalha do hoje.

Valeu a pena os minutos de silêncio....



domingo, 2 de dezembro de 2012

Insano



A prisão quente do teu sexo me deixa,    por uns instantes, insano.
Me liberto.
Saúdo a liberdade.
vibro,
adormeço,
sonho.
Não consigo largar você...
Volto com a certeza de que é ali que quero ficar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Louco ? Não.



                                          (Foto: Samuel Souza)
Saúdo o nada.

Louco, eu ? Não.

Apenas perdi as oportunidades dos aplausos nos palcos dos teatros e circos por onde andei.

Agora só me resta o grande palco da vida.

Tento chamar atenção, mas ninguém me vê.

Por um momento alguém finge me enxergar. Umas moedas caem no meu chapéu.

Que bom, amanhã terei pão.

Um lampejo de memória

Carrego na alma marcas das lembranças vividas, das lembranças perdidas.

Para a sociedade sou insano. Não sou.

Estou só.

Sou um guerreiro solitário

Agora só tenho meu corpo, ávido, faminto de um simples aplauso.
















terça-feira, 20 de novembro de 2012

Traduzindo-se




Comunicar –se, é preciso !

Entender as coisas do mundo, também.

Tudo fala,  

Tudo se comunica.

O corpo, fala

O  falo, fala.

O sorriso da criança,

O balançar da menina.

O canto da passarada

O barulho

O Silêncio

 O Sol

A Lua

O vento,  o amar,

As pedras

Tudo é comunicação!

O falar do homem e  das coisas do mundo  são   constantes; a  tradução desse falar,  nem sempre.

Traduzir, traduzir-se;
Interpretar, interpretar-se

Compreender,

Compreender-se

Enterder-se


Entender  as múltiplas linguagens  das coisas do mundo;
das coisas da vida;  grandes  desafios do  Ser, humano.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Monólogo da Saudade



- Amanheci com saudade. Só não me pergunte do que.


-Se me perguntares agora certamente não saberei responder.



-Só sei que sinto falta de algo que não sei definir.


-Será da minha adolescência distante ou da minha, até então, santa , e imaculada  inocência perdida? 


-Tem dia que a saudade me faz sorrir. Em outro, que coisa louca, é um choro danado.


-Quem mesmo inventou essa tal de saudade?

Olhando aqui pela janela do quarto vejo as horas passarem mais rápido do que de costume.

Deito-me, fecho os olhos e,  deixo esse danado do tempo me levar para as  saudades perdidas na multiplicidade do  meu pensar.

Uma nova vida



Untado de óleo um novo corpo com cheiro de âmbar
Firme, rijo, segue caminhante rumo á felicidade.
Um novo corpo,
Uma nova vida
Uma nova  alma
Uma nova mulher

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Karina



Sempre gostou de ler. Aos quatro anos de idade lia perfeitamente com todos os pontos e vírgulas.  Aos dez, o quarto  dela já não cabia mais tantos livros.

Lia de tudo. Dos clássicos da literatura brasileira, passando pelas revistas em quadrinhos e, até os considerados impróprios para sua idade.  A leitura destes, aliás,  era feita  ás escondidas e, de  preferência na intimidade do banheiro, longe dos  olhos sempre vigilantes  dos pais e da chata da irmã mais velha.

Uma vez  vacilou. Trocou o banheiro pelo quarto  e não deu outra: a dita irmã lhe flagrou alta madrugada lendo um livro de contos eróticos encontrado um dia,  por acaso,  debaixo do colchão da mãe.

Nunca tinha lido algo parecido.  

Karina  completava naquele dia  dezesseis  anos. Estava no final de Delta de Vênus, Histórias Eróticas de  Anais Nin,  escritor francês  nascido no início do século XVIII.  

Os olhos estavam  grudados nas páginas do livro e a mão direita  suave e naturalmente  massageava  a vagina , já  úmida.

Naquele instante Karina se deliciava com a narrativa de um encontro homoafetivo num  conto chamado  Helena.

Incontrolável agora, como uma maníaca de primeira grandeza, Bijou atirou-se em cima do corpo de Elena, abriu suas pernas, colocou-se entre elas, colou-se ao sexo de Elena e se mexeu, mexeu-se desesperadamente. Arremeteu contra Elena como um homem para sentir os dois sexos se encontrando, se soldando. Então, ao sentir o prazer chegando, deteve-se para prolongá-lo, caiu de costas e abriu a boca para o seio de Leila, para mamilos incandescentes em busca de carícias.

Á proporção  que mergulhava na leitura  do conto a  mão de Karina  se  movimentava  com mais avidez por dentro da calcinha. Por um instante largou livro e se entregou àquele momento só seu.  A  ninfeta foi deslizando lentamente do encosto da cama com as pernas dobradas.

Enquanto a mão direita era movimentada dentro calcinha a esquerda apertava com intensidade  os seios. Estava perto do seu primeiro orgasmo, aquela coisa tão gostosa que as colegas de escola, mentindo ou não, diziam que já tinham sentido e,  que nela despertava tanta inveja.

O livro causador de todo aquele feitiço   jazia ao lado de Karina enquanto esta se deliciava com o poder e suavidade de suas mãos.  Prestes a explodir  soltou um grito.

Um misto de dor e prazer tomou conta de seu corpo. Acabava de receber   violentamente uma cintada  da chata da irmã mais velha que lhe atingiu a barriga e os braços

- O que tu estás  a fazer, coisa ruim? Vou já dizer pra mãe-  

Hoje  20  anos depois,  com uma taça  de vinho numa mão, e um cinto de couro balançando  na outra , Karina na noite do seu aniversário de 36 anos,    olha sorridente  para sua companheira de quarto deitada languidamente sobre uma  espaçosa cama com um livro erótico na mão, e   diz – E aí, pronta.  Vamos começar? 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A alegria dos vermes ou uma vela pra tu




Vês, de nada adiantou tanto poder, tanta presunção esse tempo todo.

Perdeste a oportunidade que foi  dada a ti  para distribuir e viver  o amor  em todos seus  matizes.

Como diz aquela música:  devia ter amado mais...Ter visto o sol nascer.

Tantos anos sobre a Terra, e nada!

Se essa era tua missão. A de não amar, que missão escrota, essa.

Devia  ter encantado o mundo com tua beleza humana  e feito os filhos da Terra felizes, mas não.

Preferiste seguir a trilha do mal, do escárnio, do desamor.

Uma pena!

Adiantou alguma coisa?  Nada!.

O sangue derramou.

Nem lágrima terá para refrigerar tua alma perdida.

Não adianta mais, nada.

Agora jaz, aí, tua carne podre sendo consumida aos poucos.

Pelo menos, nessa forma, cumpre  uma missão: a de fazer a alegria e a   felicidade dos vermes.

É, com tudo isso, quem sabe alguém, solitariamente, passe aqui hoje  pra acender uma vela pra tu.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

VIDAS


Vida bela
Bela vida
Vida Curta
Curta  a  Vida
Nas  Avenidas  da vida 
esquinas  de desafios
 Nessa vida,  vida curta,
 Curta vida. 

sábado, 20 de outubro de 2012

Tribunal



Trancado  num canto oculto da minha alma encontro-me.

Peço socorro a mim mesmo. Sou minha última esperança.

Acuso-me e,  me defendo quase que ao mesmo tempo. A esse  mesmo tempo sou  advogado , promotor e juiz.

O  tribunal está vazio, sem plateia. É  apenas eu  frente a frente comigo. 
Começa o julgamento. 

Culpado ou inocente?

Minhas porções de advogado, promotor  se digladiam  observados  por meu lado juiz.

Os debates se acirram entre os meus  EUS.

Choro!

Aguardo a sentença.

Culpado ou inocente?

Termina o julgamento.

Meu lado juiz  deu-se  por incompetente,  incapaz de  me condenar e,  também de me absolver.

O julgamento foi suspenso sem data certa para reiniciar.

Mais uma vez estou livre.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

RECIPROCA



Teu  olhar percuciente  desnuda  meu ser , e revela  meu mundo.

Me  empresta, por alguns instantes,  seus olhos.  Assim   poderei,  também, desnuda-la  e conhecer-te melhor. 

O PRINCÍPIO E A LUZ



No principio era a luz

A luz fez-se verbo.

O verbo fez o mundo,   
e o Mundo não parou mais.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

INFORTÚNIO



Como sempre, acordou cedo. Rezou, tomou um banho mais do que gelado, tomou café, deu um beijo na esposa e nos filhos. Foi para o trabalho.

Sorriu muito, vendeu bastante, discutiu com um cliente mal encarado. Encerrou a jornada.  Pegou o carro, dobrou a esquina parou no bar de  costume. 

Sozinho, sorveu três garrafas da cerveja preferida estupidamente gelada. Pensou o dia seguinte: teria de vender mais, ganhar dinheiro o suficiente para a  viagem de final de ano planejada  com a família.
Despediu-se do amigo garçom. 

Animado ainda lhe deixou uma gorjeta. Antes de ir  trocou telefone  e  facebook com uma  estonteante morena que estava na mesa da frente.

Entrou no carro, ligou o som num volume mais alto do que o usual...”Descobri que te amo demaisss”...  cantava o Zeca Pagodinho.

Saiu acelerado. Pensou na morena com quem trocou olhares, e depois o telefone. Ligaria no dia seguinte,  concordou consigo  mentalmente.  Acelerou mais ainda. Não viu o sinal fechado. Bateu, capotou.  

Foi parar na UTI do Hospital geral da cidade. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A alma que chora


Quando a alma chora, chove!
Uma tempestade de lágrimas
Abrem-se valas...
Tudo é levado. Tudo é arrastado.
Tudo é levado embora,
Tudo se renova
A vida segue seu curso.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A Alma tem fome


 O que alimenta o corpo não é o mesmo   que alimenta a alma.

Conhece-se  os sintomas e os limites  do corpo.

Frio, calor;  fome, saciedade; dor e prazer.

O corpo tem fome múltipla; a alma também.

Navegar é preciso! Conhecer as necessidades e limites da alma, também.

Corpo e alma. Dois mundos abrigando muitos  mundos.

Dois mundos abrigando anjos e demônios.

Dois mundos unidos, mas  ao mesmo tempo separados.

Dois mundos sempre famintos.

Viagem



Tentei viajar.  
Atrapalhei-me  com os múltiplos caminhos à minha frente.
Confuso, fiquei onde estava.
“Não consegui sair do chão”
 Quem   sabe amanhã  encontre o caminho certo e assim, consiga  viajar.

terça-feira, 8 de maio de 2012

FOGO




Chama, fogo, afago, corpo, paixão, brasa ardente.

Queima, consome, calcina, chacina.

Queima, purifica, salva, anima

Viver é uma missão, morrer também


 Nascendo, vivendo, ou morrendo, não resta dúvida: Chegamos ao plano terreno com uma missão. Somos eternos missionários numa trajetória infinita. 

Não importa a idade, não importa o tempo aqui, passado ; a missão dada pelo criador é certa.

Viver é uma missão, morrer também. 



domingo, 29 de abril de 2012

O Fardo, a missão.




O fardo é pesado! Mesmo assim, sigo adiante.
Se emociono, se choco, desperto compaixão ou provoco pelo menos um “cadinho” de emoção, me tranquilizo com o sentimento da missão cumprida e com a certeza da minha importância no mundo.





sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Código Secreto




Quantas inquietações nos atormentam quando, por um momento ou outro,  nos aquietamos e, por alguns segundos e raros minutos, nos desprendemos do mundo ao nosso redor e voltamos-nos para dentro de nós.

São tantas perguntas, tantos pensamentos, tantas vozes silenciosas gritando.  Uma querendo se sobressair mais do que a outra; assim, percebe-se  a necessidade de  um pouco de  equilíbrio no silêncio para que as vozes do que chamamos de   mal não vençam  a batalha da comunicação interior

Somos a soma do tudo e do nada ao mesmo tempo. Somos filho de uma força que está  além da nossa frágil e incipiente  compreensão. Acredito que cada um de nós tem uma senha, um código secreto. Tão secreto, que por mais que nos esforcemos não conseguimos acessar.

Acredito que essa senha só nos é  revelada quando morremos e ninguém quer,  ou  espera morrer para que a ela tenha acesso.