quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Rótulos



Se não soubéssemos que o mar é mar,

se não soubéssemos que a água é  água,

se não soubéssemos que o vento é o vento;

se não soubéssemos que o homem é o  homem

se não soubéssemos que o mundo é mundo
o que seria de nós no mundo?

Quando esquecemos  de tudo que sabemos os rótulos desaparecem.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A eterna luta pela vida


Por Elson Araújo

Não chores,  meu filho; que a  vida
é luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes os bravos,
Só pode exaltar..
(Gonçalves Dias)

A vida, como bem traduz o poeta, é uma eterna luta, uma guerra  sem fim, uma saga cheia de muitas batalhas que termina aqui nesse plano e reinicia nos campos de batalha do desconhecido. Uma corrida que começou no dia que nossos pais, com as bênçãos do Eterno, uniram-se numa só carne. Ali, naquele  instante , a uma velocidade de 16 quilômetros por hora, segundo os estudiosos, milhões de espermatozoides competiram harmoniosamente para atingir a tuba uterina e assim completar o processo de fertilização. 

Nessa corrida inicial nem todos conseguiram chegar ao templo inicial da vida humana
E  essa grande batalha pelo início da vida humana  não termina com a  simples chegada à tuba uterina. Dos milhões que iniciaram a jornada, apenas, um e alguns casos raros dois e mais raros ainda seis conseguem o privilégio de fecundar, de se juntar á célula feminina; e aqui estamos nós em carne, osso, emoção...

Então, como disse o poeta Gonçalves Dias, a vida é combate e, eu diria um eterno combate.  A chegada ao mundo, o nosso nascimento, sem dúvida, se converte numa vitória...Um verdadeiro milagre! 

Toda essa introdução para dizer que Deus nos programou, nos consagrou para sermos vencedores e rendermos frutos, conforme  escrito  lá em João 15:16 “ Não fostes vós que me escolhestes,  pelo contrário, eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis fruto e vosso fruto permaneça ...Tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nomes ele vo-lo conceda”

O  Eterno não  nos “jogou” simplesmente no mundo;  mais do que isso,  nos  dotou de  incontáveis potencialidades nem sempre exploradas e por vezes desprezadas.  A Parábola dos Talentos nos revela  essa verdade. Ali  está bem clara a grande responsabilidade que nos foi dada para mudar o mundo, em usar bem o que  nos foi confiado.

Disse Jesus que um homem ao  partir de viagem chamou os seus servos e confiou -lhes seus bens.   A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada  qual. O que tinha recebido cinco talentos fê-lo render e ganhou outros cinco, a mesma coisa o que recebeu dois. O ultimo  escondeu o dinheiro do seu senhor.

Portanto , já que conquistamos a corrida pela constituição da vida,  a tarefa é não esconder os talentos recebidos. Se ainda estão escondidos, se não foram descobertos ou se  foram abandonados,  a missão é redescobri-los, e  expô-los positivamente para o mundo.




sábado, 24 de dezembro de 2016

"O Universo eu"


Creio na ilusão sincera que se porta diante do homem como  uma noiva  virgem despida  de qualquer pudor (Elson Araújo)


Como acessar o vasto mundo do desconhecido que é nosso interior, também chamado de eu?  Esforçamo-nos tanto para entender o lado de fora, e até para ler o pensamento dos outros que negligenciamos os “mundos que habitam” o nosso ser.

Passamos anos e anos a pesquisar, e a tentar entender a história da humanidade, a presença e extinção dos dinossauros, a explorar o espaço sideral e, até os oceanos,  que  deixamos de explorar as profundezas do nosso ser.  “Quanto mais nos conhecemos ,  tanto mais clareza existirá” ensina  o filosofo indiano  Jiddu Crishnamurti. Para ele  “enquanto eu não compreender a mim mesmo, em minhas relações convosco, sou eu a causa do caos, da miséria, da destruição do medo, da brutalidade”  explica o sábio ao falar sobre a importância do autoconhecimento.

Qual seria o caminho de acesso a esse  mundo interior que nos conduziria ao autoconhecimento? Sem dúvida habita ai, um grande quebra-cabeça.  A certeza que aparece é que esse mundo existe sendo ele o grande responsável pela manifestação do que representamos e apresentamos exteriormente. Somos, portanto, a exteriorização do pouco, inconscientemente acessado,  ou pode se dizer,  negligenciado mundo interior,  e às vezes nem sabemos disso.

Pra viajar ao espaço gastam-se milhões de dólares, infinitas horas de pesquisas, e a incerteza da volta; o mesmo esforço é para  implementar  as poderosas máquinas para explorar os mistérios das   profundezas dos mares.  E  o que é preciso,   e o que se gasta para  viajar pelas profundezas do ser ?    Pode ser dizer  que incialmente a consciência dessa necessidade.

Por que rimos?
Por que choramos?
Por que mentimos?
Por que ficamos zangados?
Porque enganamos ?
Por que mantamos nosso semelhantes?
O que nos faz maus, e o que nos faz  bons? 
O que nos faz pensar?
De onde viemos,  aonde vamos?   
A  existência humana acaba mesmo com a morte ?

O que acontece com a consciência,  e o que nela  fica  registrado quando o corpo não resiste mais ao peso  da alma?  Adormece,  ou consciente  fica inerte em algum lugar do universo observando o todo e  aguardando algum comando da força que a criou ?
Uma certeza aparece quando ocorrem essas “viagens” o encontro com o EU :  não  se volta pior.  No mínimo,  melhora-se   a relação conosco e com  o mundo exterior.

Diante de todas essas inquietações não há como não concluir que,  de fato somos uma poderosa, e complexa máquina formada por uma sequencia e encadeamento de células, moléculas,  átomos,  e engenhos químicos;  enfim, mundos   onde estão insertos os elementos que formam o universo  ao qual   estão abrigados, não os segredos,  mas os mistérios sobre a nossa  presença  aqui. 

A pergunta que se segue a tudo disso  é  como,   e de que forma,   ter acesso a esses mistérios para, pelo menos se chegar perto da chamada  autocompreensão ?  


Finalmente  chega-se à conclusão que além do risco do não retorno, quanto mais se voa pelo espaço,  ou mergulha-se nas profundezas dos oceanos, mais ficamos distantes do  “universo eu”;.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Trubuto a Janis Joplin


Do ventre originam-se os mais complexos acordes.
Do nada a mais doce e harmoniosa melodia universal.
Do útero da alma o lamento seguido do mais louco orgasmo.
Um grito cavernoso rasga ao meio a alma num gozo musical sem fim 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O que é bom volta ao coração


Respiro,
Sinto o cheiro.
Uma palavra puxa outra
se não escrever, enlouqueço e logo esqueço.
  na sequencia o vácuo .
Segundos sem  criação e 
uma  pequena  pausa para   não cair nas muitas   tentações.
Não há motivo para preocupação.
O que é bom  sempre  volta ao coração.
Respiro profundo para explorar o mundo, protegido num cofre lá no  fundo.
Longe, bem longe,  quero chegar,  bem longe quero ir,  
tocar em tudo que  me permitir e, assim, traduzir  o meu inquieto sentir.
Uma venda escurece o olhar

Lembranças ancestrais tocadas são, mas de lá, daquele canto escuro, dele não conseguem  desapegar , não.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

PSICO

  
No éter,  angústias, medos, insegurança e incertezas aguardam a cura do mal provocado pelas espadas do Mundo.

A mente como um viajante sem rumo divaga.  Faminta, atrai diante de si um cardápio de doces amargos gastricamente  expulsos pelo sentimento de insegurança em meio a um mar de incertezas formado por lágrimas secas.

Vazio, hiato !

Será  que é inútil querer decifrar o nada,  que não é nada e  mesmo assim existe e resiste ?

Parece loucura querer chegar  a um lugar que ainda não existe.
A fome física  temperada pela madrugada,  se confunde com a fome da alma sempre faminta.

Um mergulho no oceano da incerteza. Ao longe a luz forte de um  farol indica o caminho de um  (in) certo mundo ainda desconhecido.  E pra lá que os pés se levantam e apontam.

Será loucura o  começo dessa viagem psicodélica, iniciática, desconexa,  liberta das amarras das regras existenciais?
Será loucura,  ou começo dela, a tentativa de decifrar o indecifrável?

Será loucura essa viagem sem nexo, desconexa pelo oceano do nada, sem porto, sem  minas, sem rimas?

A vida é  assim, uma viagem com muitas escalas , muitas idas e vindas num movimento que não tem fim.




sábado, 3 de dezembro de 2016

Ela chega e tudo melhora


Elson Araújo

O nosso  “ campo de  visão” com o tempo, se exercitado é claro, amplia. O mundo passa a ser visto por ângulos distintos. Observamos mais, pensamos mais. A visão do ontem  começa a ser reavaliada,  e a visão do hoje automaticamente termina por melhorar. E não é só a ampliação da visão do mundo, não. Arrisco-me dizer que melhoramos muito com a maturidade. 

Semana passada,  não descobri  ainda o porquê, me dei um flagra refletindo sobre  os tantos caminhos, e descaminhos que nos faz alçar a essa  maturidade, e de tanto pensar acabei por fazer uma viagem  no tempo. Fui longe e gostei do déjavu.

E não é que é legal viajar no tempo?   Revi amigos, as brincadeiras e peraltices da infância; aquela vez que cuspi,  zangado,  na saia da professora e,  daquele dia que perguntei a ela, e fiquei sem resposta,  quem era o pai de Deus.  Acredito que eu, e todos os outros humanos partirão sem  obter essa resposta que a professora , quase que engasgada , não soube me responder

Viajar no tempo, recompor memórias  é  muito legal mesmo.  Descobri que faz bem pra saúde  com uma ressalva de que seja pra reviver boas  recordações,  o  contrário   faz um  grande mal.

De volta  a esse fenômeno natural  a que chamamos de maturidade. Embora  saibamos que seja um estágio intermediário para o  fim corporal,  se a gente perceber bem,  é pura magia;   trata-se de um estágio mágico da vida, sobretudo,  quando a gente faz aquelas paradas obrigatórias, como um dia me disse um pastor evangélico.

“Nessa fase  são necessárias algumas paradas obrigatórias para que haja os consertos necessários e a gente possa seguir adiante” me ensinou o velho pastor.

Outro encontro  bacana foi  esse com o pastor, durante  minha viagem no tempo.

Pensei  e tentei encontrar uma maneira de exemplificar o que seria essa “santa maturidade”.

Na minha mente surgiu  uma lagarta rastejando bem devagar. O bicho  via tudo por um único ângulo;  passava por cima de  pau  e pedra,  se machucava, e nem sentia dor. Feria também e nem percebia. 

Medo?  Não existia.  Havia naquela  lagarta  um sentimento de infalibilidade.  
Num determinado momento, obedecendo ao comando natural da  existência, a lagarta parou e se recolheu por um determinado tempo num casulo. Parada obrigatória para um processo de transformação ou   não já que por motivos alheios à sua vontade    esse   processo certamente correria  risco de ser interrompido.

Com a graça  de a lagarta  ter  ultrapassado aquela  fase, agora sim,  surgia uma bela  e colorida borboleta. 

A lagarta se transformou, criou asas e voou, passou a ver  o mundo lá do alto.   Descobriu, de repente, que as pedras continuavam   lá,  mas que  no meio delas  era possível enxergar  o verde que não  via antes   e uma enorme  variedade de  flores. 

Agora  com as asas, se quisesse,  a ex-lagarta  poderia  ir mais longe, ir a lugares antes  inimagináveis e  escolher  pousar nas   flores mais belas.



sábado, 15 de outubro de 2016

Nobres



Nobres reis e rainhas nas salas do mundo.
Presença eterna nas nossas vidas.
Frutos, benditos, sejam os seus sobre a Terra.
Fé no que diz,
Fé no que faz
Presente,
Passado,
Futuro,
Sempre,
presentes.

Oração aos mestres


Que não falte  palavras. Que não falte energia, que sobre magia na  arte de transmitir conhecimento.

Ó mestres, fazei- nos instrumentos de paz e de  transformação.


Amém

terça-feira, 11 de outubro de 2016

BRINCADEIRA


Ente inocente,
alegre ,
valente.
Espada na mão,
monstro no chão.

Choro presente,
Colo ausente.

Colo presente
Choro ausente.
Ente inocente,

Alegre,
Valente.
Conquista.

Do alto do colo,
sem grito,
sem choro
contempla a vida sorridente e contente,

feliz.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

VIDA QUE SEGUE




Um encalhe ali, outro acolá, como um barco a vida segue seu curso  depois de cumprir  com cada estágio;  são as paradas obrigatórias que ela mesma impõe para abastecer, fazer os reparos necessários e assim,  a viagem seguir com segurança.


Seja em águas rasas ou profundas, turbulentas, ou serenas  o barco da vida segue em frente; e nós, pequenos mortais, com o olhar fixo no horizonte  vamos nos alimentando da  brisa esperança  de chegar ao mais seguro dos portos.

BENÇÃO

Fotografia: Greacy Azevedo
Vós sois vida,
vós sois água,
vós sois benção.
Nossa vida,
nossa água,
nossa benção.
Sem vida,
Sem água,

não há  benção.

domingo, 26 de junho de 2016

JERUSALÉM

                                                         

                              
Na veia as notas irrompem sem nada que as possa parar.
O coração pulsa em cadência.
Viva a revelação !
Sem um horizonte o corpo treme numa viagem frenética nas ondas  das esperança.
Som, imagens psicodélicas pavimentam  em alfa  o  possível caminho da Jerusalém.
Crianças, jovens, adultos, idosos clamam a Adonai ao sabor dos ventos tempestuosos.
Um oceano de lágrimas quentes lancinam o rosto do sem pátrias.
Difícil partir, impossível a viagem de volta.
Que  a paz   se estabeleça entre os povos da Terra.
Em tom de lamento Blondy faz ecoar: “Jerusalem estou aqui”.
A Jerusalém , a nossa  é  aqui
Barouh atat Adonai !,
Louvado seja, Tu Senhor 


segunda-feira, 16 de maio de 2016

FÉ E SOCIEDADE


A crença, e a busca pela sintonia com o eterno, são necessidades  intrínsecas, não só  no ser cristão, mas também daqueles que professam uma fé, seja no que for. O que faz com que  nos comportemos   como  humanos de verdade,  não é a nossa morfologia, mas o conjunto das nossas crenças, e a  certeza de que não viemos do nada.

Sem  a crença no eterno nos resumimos a um simples ser vivo travestido de humano. Uma vez na condição de humanos eis um grande desafio: harmonizar-nos, no sentido amplo, com o ambiente em que vivemos e, assim, melhorar a relação com o outro no exercício do conviver social.

A fé concebida pelo nosso conjunto de crenças, se constitui num componente importante para o processo de  harmonização da sociedade.  Se, sem fé é impossível agradar a Deus, ainda sem ela é impossível a construção de uma sociedade melhor. Uma sociedade justa. Nesse aspecto podemos afirmar que a  fé é um elemento indutor do mover humano, tanto no aspecto positivo, quanto negativo. 

Hitler em nome da  “crença” numa raça pura exterminou milhões de Judeus; milhões de negros foram escravizados  sob o manto da “crença de que não eram gente, eram  coisas; e hoje o estado islâmico, diante de uma fé cega e  interpretação deturpada do Corão, comete todo tido de atrocidades. Na contraposição Jesus Cristo, Gandhi, Martin Luther king são  alguns exemplos de disseminadores da fé que “move montanhas”,  que cura as feridas mais profundas,  ressuscita mortos e que transforma a sociedade.  Seus ideais permanecem, se eternizaram.

A fé, a boa, pode ser aprendida, desenvolvida e seus resultados apreendidos pelo tecido social. O que seria das sociedades sem esse tipo de fé?  Resumir-nos-íamos a meros zumbis vagando sobre a terra, sem rumo, indiferentes ao ambiente e às  outras pessoas. O acreditar é da natureza humana e isso precisa ser cultivado, e nesse pensar,  torna-se importante a crença no aspecto de que o homem  pode evoluir para algo melhor.

 É crível que o Planeta possa ser ocupado por homens de muita fé e capazes de   coisas prodigiosas;  entre elas {a principal}  a de construir uma sociedade, justa fraterna e igualitária. A crença nesses ideais não pode, jamais, ser perdida de vista sob pena da  sociedade se  inclinar na direção de um processo contínuo de involução o que nos levaria a uma condição  de barbárie. 


Portanto, existe a fé que destrói e a fé que constrói.  E, é essa boa fé, a que constrói,  que precisa ser disseminada  em todos os quadrantes da Terra  por nós que ainda acreditamos que tudo é possível àquele que crer.

sexta-feira, 25 de março de 2016

SANGUE SEM COR



A alma sangra

Um sangue sem dor

Um sangue sem cor

Uma via se  abre  na carne

Escorre a última gota do sangue sem dor...

Do sangue sem cor.

sábado, 2 de janeiro de 2016

ATÉ QUANDO ?



 
Na natureza, os elementos fáticos de um poder superior que nutre a mãe Terra e, que também deve nutrir  mundos outros nesse imenso  universo.

Sobre o mundo nutrido pela natureza uma massa plúrima  divide-se  entre sete bilhões e meio de seres  numa guerra permanente e desigual contra  a NATUREZA, que nutre a grande aldeia global.

Ela, a Terra, resiste, chora . Por vezes suas lágrimas parecem querer varrer o SOLO  danificado;  em outras ocasiões, ela se vinga e deixa  ardê-lo  numa tentativa tácita de conscientizar  pela dor  seus milhões de filhos. 

A Terra chora, grita,  pede socorro.

A mãe Terra abriga, alimenta ,   e mesmo assim, a cada dia uma massa ignara e,  ingrata segue como uma praga numa  saga consciente de destruição.

4,5 bilhões de anos  de existência  postos em risco por uma geração que teria aparecido  por aqui há apenas 200 mil anos.

Ela, a mãe Terra grita, pede socorro, tenta resistir !!!

Até quando???