segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

E A PEDRA CHOROU


Uma explosão e ela foi parar longe, muito longe. Caiu no meio de uma floresta tão densa, tão fechada que a luz do sol não conseguia penetrá-la. Ficou triste por ter caído ali naquele lugar. “ Aqui,  jamais serei encontrada” pensou.
Pesava pouco mais de um quilo e possuía  forma   arredondada. A explosão lhe deixara marcas, na verdade sulcos  onde com o passar dos anos brotaram musgos que lhe deram uma tonalidade  escura lhe deixando ainda mais camuflada. A pedra começou a chorar já que coberta daquele jeito ser encontrada ficaria ainda mais difícil. Tinha consciência do seu valor, no entanto,  ali naquela floresta sem luz e coberta de musgo, para o resto do mundo, não teria valor algum. Voltou a chorar.

De tanto chorar com o passar dos anos as lágrimas da pedra começaram lentamente a formar um filete de água que mais tarde tornou-se um riacho. Agora ser encontrada ficaria ainda mais difícil, e o pior que era tanta tristeza que não conseguia mais parar de chorar.
O sonho da Pedra era ser encontrada e reencontrar suas irmãs perdidas naquela explosão e junto com elas fazer história em algum monumento arquitetônico da humanidade tipo as famosas pirâmides do Egito, ou os castelos europeus, seria a glória.  A Pedra pensava grande, no entanto jazia ali, no meio daquela floresta e agora coberta por um vale de lágrimas formado pelos anos de choro.

O filete de água, que formara inicialmente um riacho agora era um rio de grandes corredeiras, grande volume de água  e cheio de vida. Na sua frente a pedra via  várias espécies  de peixes e outras criaturas que encontraram naquele ambiente o lugar ideal para viver. Vez por outra um peixe, em sinal de agradecimento, se aproximava e carinhosamente retirava os excessos dos musgos que lhe envolviam. Aquele carinho soava como um beijo.  Tudo aquilo era bom, mas a Pedra queria mesmo era ser encontrada e mostrar para o mundo seu valor, seu brilho.
Anos e anos se passaram  e certo dia  a pedra começou a perceber movimentos além dos  das criaturas do fundo do rio e dos sons vindos da floresta.  Nunca tinha ouvido nada igual desde o dia da explosão que lhe fizeram cair naquela mata fechada.

Não via mas, sentia, ouvia  e percebia árvores caindo, animais correndo e emitindo sons de quem estivesse correndo de algo.  Ao fundo o barulho estranho de algo que não era dali.  Ainda não conseguia identificar o que na verdade estava acontecendo.  Será que agora seria finalmente encontrada.

Ficou ali fazendo planos. Dormiu por dias pensando na possibilidade de finalmente  realizar seu grande sonho: mostrar para o mundo o seu valor e sua importância.
Quando acordou ao seu redor não tinha mais água, não tinha mais peixe e nenhuma outra criatura aquática. Seu corpo ardia e logo percebeu que era efeito do sol forte de verão. Não via o sol desde aquela terrível explosão.  Antes de se situar  do que tinha ocorrido fora apanhada de surpresa por uma máquina estranha que  lhe  juntou  com outras pedras da sua espécie.

Finalmente a Pedra que caiu na floresta escura, que chorou dias e noite, cujas lágrimas formaram um riacho e depois um grande rio integrava um monumento, não um palácio, castelos, ou pirâmides, mas o de com milhares de irmãs  formarem as paredes  gigantescas daquela hidroelétrica  que fornece energia elétrica a partir do rio que se formara com suas lágrimas.

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A CEIA




Não ia ser como no ano passado.

- Não ia mesmo! Pensou ele.

juntara dinheiro o ano inteiro. Tinha feito todas as contas daria para comprar tudo o que tinha direito para aquela que seria a ceia de Natal do ano. Estava orgulhoso de si mesmo.

À noite, mesa posta. Música certa para ocasião tocando no som da sala.
Várias fotos tiradas.

- Ah,  como ficaram bonitas. Amanhã vou postar tudo no Face e muita gente vai ficar com inveja-  pensou ele.

Era a mais bonita mesa de ceia de Natal do bairro, não tinha dúvida.
Hora da ceia. 

Meia noite. Uma ameaça de chuva pairava no ar. Ao longe o eco de um trovão, mesmo assim um galo insistia em cantar.

Estava tudo tão bonito, tão belo. Mesa farta e toda decorada. Havia copiado tudo de uma revista americana.

Só se esqueceu  de  um detalhe: juntou tudo, preparou, de fato, a melhor, mais farta e bonita mesa de Natal da rua,  mas não juntou os amigos. Estava só.

Uma lágrima quente correu-lhe o rosto. 

Naquele instante jurou:
No ano que vem vai ser diferente! 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

TAÇA




Na taça de sangue cai.
Sufocado,  com dificuldade de respirar fiquei.
A taça era grande e dela não pude sair.
Sufocado continuei.
Tentei sair,
gritei,
Ninguém ouviu.
Sorvi então todo o sangue,

Sobrevivi.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PEQUENA CRÔNICA SOBRE O TEMPO


Santo, às vezes diabo, o tempo está na linha paralela das nossas vidas. O danado  sara,  mas também provoca feridas.  Dizem até que o tempo “é o senhor da razão”, crescemos ouvindo isso, e assim vamos aprendendo a esperar  “dando um tempo ao tempo”  que alheio a tudo segue seu curso e com a certeza de que cada segundo nunca é mais, sempre é menos. 
Diante do  mais ser sempre menos,  às vezes,  bate uma angustia;  aí vem a vontade de correr e atropelar tudo o  que vem pela frente o que  faz aparecer  outra necessidade humana: a de aprender   a domar, controlar o tempo, e usá-lo a nosso favor. Tarefa nada fácil.
Na verdade, ao se raciocinar sobre o elemento tempo, chega-se à conclusão de que não existe essa dele  passar rápido como aprendemos desde cedo. Ora,  o  tempo segue no seu ritmo sem presa nenhuma, no seu curso natural. Nós, enquanto humanos, é que  insistimos em lutar contra ele. Passar por cima dele deixando de respeitá-lo. É fato: o  tempo merece  respeito.

Uma certeza aparece cristalina na frente dos olhos: o tempo segue forte deixando marcas, deixando lições, ensinando, como já observava o sábio Salomão lá no seu Eclesiastes  que debaixo do Céu há momento para tudo e tempo para  cada coisa.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

EXPERIMENTE

Momento mágico o de fechar os olhos, silenciar, respirar profundamente e deixar “o vento falar” tudo o que tem a nos dizer. Por alguns momentos nos sentimos verdadeiramente livres, libertos.

RAÍZES


É assim: 

a vida é um constante vestir-se, um constante desnudar-se, um constante apegar-se, um constante desapegar-se. É dificil criar raízes.

domingo, 27 de outubro de 2013

NA PELE




Na pele,  as marcas marcam o tempo,
marcam as horas.
O vento escreve nas linhas,  nem sempre retas, mensagens de dor,
mensagens de esperança, mensagens de amor.
Forte o vento na pele.
Um arrepio.
É chegada a hora  uma nova história, uma nova emoção.

sábado, 19 de outubro de 2013

BOCA



Boca, paraíso-img google-karaminholas.zip.net

Na boca da noite o sabor das bocas unidas,
das bocas dormidas,
das bocas adormecidas,
das  línguas vencidas pelo cansaço do amor.