segunda-feira, 26 de abril de 2010

Crítica elogia trabalho da imperatrizense Lília Diniz

Bastante elogiada pela crítica especializada as duas apresentações da imperatrizense Lília Diniz na festa do aniversário de Brasília. "A pequenina" emocionou o público com sua performance.

O poeta Antônio Batista, não se conteve e depois da apresentação da artista lhe enviou o seguinte "escrito" seguido de um texto sobre o show que acabara de assistir.

Lília bom dia

Tomei a liberdade de escrever umas linhas sobre minhas impressões ao ver você e Jessier juntos. Ainda não conhecia seu trabalho e olhe fiquei impressionado com seu livro, a apresentação dele na caixinha de buriti e especialmente os versos que voce escreve.

Já visitei seus blogs e sai caçando você no google, para minha surpresa vi que voce já é poeta "rodada" e eu que na minha ignorância nao a conhecia ainda. A partir de agora terás outro fã e divulgador da sua poesia, que é a nossa poesia.
Um abraço sertanejoAntonio Batista

A tampa e a panela

Com poesia e graça o show de Jessier Quirino, em Brasília, foi aberto pela poetisa maranhense Lília Diniz. Com um aboio na garganta ela cumpriu, com leveza e força, a responsabilidade de apresentar um dos maiores expoentes da poesia matuta da atualidade.

Cantando o Maranhão, ela entoou um louvor às mulheres quebradeiras de coco babaçu e arrebatou a platéia com a poesia “Birra de Muié”.

Cheia de prosa e totalmente a vontade no palco, Lília Diniz demonstrou a força da sua poesia, e no dizer de Jessier “Lília Diniz trata com retidão o interior do Brasil”.Com humor e força Jessier, o domador de palavras, chega com “paisagem do interior” e arrebata a platéia com ao descrever cenas do cotidiano do interior do Brasil.

Entre causos, piadas, poesias e músicas, o poeta vai transportando as pessoas para o universo “amatutaiado” de personagens do povo como Chico Toucim, Mané de Pichitita e Bio Pipoqueiro. Bota palavras na boca do mar e da velha lata d’água amargurada, demonstrando maestria no ajeitamento das palavras e percepção dos sentimentos sertanejos.

O palavreiro trás um “Berro Novo”, título do seu novo livro, com as lembranças da “merenda corriqueira” da infância sem esquecer as toadas de outras lavras, como o “Bolero de Izabé”, “parafuso de cabo de serrote” e “vou-me embora pro passado”, abrindo os poros do corpo e da alma dos ouvintes que lotaram o auditório da Associação Médica de Brasília.

O encontro destes dois poetas trouxe uniu Maranhão e Paraíba na poesia brejeira, e eu que sou de Sousa(PB), fui e voltei a minha terra em risos, um fiozinho de lágrima que teimava cair e um aperto na alma arrochado que só nó em pé de cabrito juramentado de buchada.

Lília Diniz e Jessier Quirino poetas que nos enchem de orgulho, cheios de sertanejismos e brasilidades que revolvem nossas raízes mais profundas, era ver a tampa e a panela, recheada dos melhores versos a despejar no prato de nossas almas o sabor da saudade temperada com carne de charque e azeite de coco babaçu.

Antonio Batista
Paraibano, de Sousa

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