quinta-feira, 3 de abril de 2008

Juvenal Antena, herói ou vilão?





Êpa, êpa, êpa! Justamente, muita calma nessa hora! Atualmente esse é o bordão televiso mais declamado no país. Proferido pelo controvertido Juvenal Antena, personagem de sucesso criado pelo novelista Agnaldo Silva, autor de Duas Caras, atual novela das oito da Rede Globo, vista diariamente por milhões de brasileiros.
Juvenal Antena é o líder da Portelinha, favela fundada por ele a partir da invasão de uma área urbana ambientada no Rio de Janeiro.
O ex-segurança estabeleceu uma comunidade, que na novela aparece como modelo de boa convivência social e com a ausência de crimes. A exceção foi a invasão cruenta da favela por uma facção criminosa que foi prontamente rechaçada por Juvenal que mantinha escondido um verdadeiro arsenal de guerra. O Brasil vibrou com a reação de Antena contra o assalto à Portelinha e fortaleceu sua imagem de herói.
Nosso herói mantém o controle da favela com mão de ferro, conhece os moradores e seus problemas e aparentemente resolve tudo, deixando todos felizes. Pra “defender a favela e manter o poder local” Antena lança mão de métodos violentos que vão de ameaças até a finalização (assassinato) do infrator. Assim, mantém “a lei e a ordem na comunidade”.
Visivelmente a sociedade brasileira parece aprovar os métodos, nada ortodoxos, de Juvenal Antena exercer o controle da favela onde foi estabelecido um poder paralelo. A lei é determinada por ele. Ele é a lei!
O que leva a sociedade a aprovar e até vibrar com os métodos do personagem do ator Antônio Fagundes na novela das oito? Seria a distribuição de cestas básicas que ele diz que faz; o bom humor, o jeito de vestir, de falar, a truculência, a pseuda valentia?
Independente de qual seja a resposta “o cara faz o maior sucesso”. O povo torce para que ele tenha um final feliz mesmo entendendo se tratar de um misto de herói e vilão.
“Bandido porque anda armado, mantém armas de uso exclusivo do exército escondidas; e herói porque protege o povo da favela” - opinião colhida perante um estudante do ensino médio de 17 anos.
“Também acho que ele é uma mistura de bandido e herói. Trata-se de um ditador que não permite ser questionado, mas é um herói porque tomas decisões e resolve os problemas que deveriam ser encampados pelos governantes”, diz uma profissional de nível superior que atua na área social.
Ta bem aí, na nossa opinião, “o segredo do sucesso do homem”: ocupar espaço e deveres que deveriam ser executados pela figura do Estado. Na Portelinha, Juvenal mesmo agindo fora da “Lei”, encarna a figura do Estado, do grande pai. De início resolveu dois graves problemas para muitos brasileiros: a falta de um lugar para morar (invasão da propriedade que deu origem à favela) e a violência. Como foi dito logo no início do texto, a violência não é tolerada naquele logradouro.
É assim, na ausência do Estado o poder paralelo, nas suas diversas concepções, se estabelece e pari personagens, mais do que reais, como o misto de bandido e mocinho, chamado Juvenal Antena.

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